quinta-feira, 28 de maio de 2009

Entrevista completa de Soledad Silveyra a Cristina Fernández de Kirchner








quarta-feira, 27 de maio de 2009

Mata Atlântica em Pernambuco corre o risco de desaparecer: sobraram apenas 2,5% da vegetação original

Ibama faz operação em serrarias para combater desmatamento ilegal.
25 estabelecimentos foram fechados e multas chegam a R$ 850 mil.

Do G1, com informações do Bom Dia Brasil

http://g1.globo.com/bomdiabrasil/0,,MUL1169068-16020,00-PERNAMBUCO+TEM+APENAS+DA+MATA+ATLANTICA+ORIGINAL.html


As poucas áreas de Mata Atlântica que sobraram em Pernambuco correm o risco de desaparecer. Trilhas e clareiras estão por toda parte, mesmo as regiões de difícil acesso. No estado, sobram apenas 2,5% da floresta exuberante que existia na região. A ousadia dos madeireiros é tão grande que eles não se contentam em derrubar as árvores. Eles levam motosserras e, na mata, beneficiam a madeira que vai abastecer o comércio ilegal. Pelo tamanho dos troncos encontrados pela fiscalização, dá para calcular que algumas árvores tinham mais de 20 metros de altura. 


“São grupos armados, organizados, financiados por serrarias que recebem os produtos ilegais. São grupos perigosos”, diz Lélie Tavares, chefe de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). 

Como a fiscalização não chega aos locais dos desmatamentos, a estratégia é fechar o cerco contra as serrarias e atingir a ponta do comércio ilegal. A Operação Sucupira, desencadeada no início do mês, conta com dez equipes que atuam em cinco cidades da Zona da Mata. 

Os fiscais já fecharam 25 serrarias e pequenas fábricas. Todas usavam árvores da Mata Atlântica como matéria-prima. São estabelecimentos sem licença ambiental e sem cadastro no Ibama. O dono de uma serraria foi multado pela quarta vez: R$ 58 mil. 

Até o fim do semestre, o Ibama pretende fechar mais de 200 serrarias clandestinas. As multas já chegam a R$ 850 mil. A madeira é recolhida com ajuda do caminhão-guincho. Mais de 900 toras foram apreendidas. É umama tentativa de salvar a mais ameaçada das nossas florestas. “Queremos garantia de que todo esse dinheiro que circulava financiando e estimulando o desmatamento ilegal e a pistolagem seja secado. Essa conta tem que secar”, afirma o superintendente do Ibama em Pernambuco, João Arnaldo.

terça-feira, 26 de maio de 2009

ONG Florescer promove inclusão social na favela de Paraisópolis em S.Paulo


http://br.noticias.yahoo.com/s/23042009/25/entretenimento-moda-reciclagem-promovem-inclusao-social.html


Por Ciça Vallerio


São Paulo, 23 (AE) - Localizada na Favela de Paraisópolis, zona sul de São Paulo, a ONG Florescer fica numa área onde predominam ruelas estreitas, sem placas. Ali está a segunda maior comunidade carente de São Paulo, com cerca de 85 mil habitantes. Só perde para Heliópolis, na mesma região, cuja população é de 120 mil.


Em junho, a Florescer comemora 19 anos de existência. O projeto nasceu na cidade de São Manuel, interior paulista, pelas mãos de Nadia R. Bacchi - mãe da modelo e atriz Karina Bacchi -, mas se firmou mesmo na capital. Como madrinha da ONG, a filha Karina divulga o trabalho que hoje se tornou a principal fonte de renda da entidade, o Recicla Jeans. O projeto confecciona roupas femininas a partir da reciclagem de jeans usados e descartados, de resíduos têxteis, como retalhos e peças não aprovadas pelo controle de qualidade.


Vinte costureiras moradoras de Paraisópolis são as responsáveis pela confecção das peças, que são vendidas no Shopping D, zona norte, e agora também no espaço do badalado cabeleireiro Mauro Freire, nos Jardins. Ambas as vendas são formas de apoio e reconhecimento aos anos de atuação da ONG (www.ongflorescer.com.br), que já conquistou prêmios como o Quality International e Revelação Nacional.


A criação de casacos, vestidos, sacolas, bolsas, pufes, broches na forma de flor, brindes para empresas e muitos outros acessórios ficam por conta da própria Nadia, que já foi dona de uma marca de moda feminina. A partir da experiência no mundo da moda, percebeu como esse ramo seria uma boa saída para alavancar fundos para a instituição.


USO DO JEANS


"Para arrecadar dinheiro sem precisar passar o chapéu a todo momento, decidi apostar na moda", lembra Nadia, que hoje está com 61 anos e é formada em Biologia. "Foi quando me dei conta de como esse projeto era amplo, uma vez que gera emprego e renda para mulheres da comunidade e também tem uma preocupação ecológica, trabalhando com reciclagem. Pensei no jeans por ser usado no mundo todo, e também por ser resistente e ter longa vida."


Mas não é porque as peças são fabricadas por uma ONG que os preços são populares. Variam de R$ 120,00 (uma bolsa) a R$ 260,00 (uma jaqueta com patchwork). Há até vestido de noiva bem fashion, confeccionado com retalhos, bordados e apliques, que pode chegar a R$ 6 mil.


Outra parceira do projeto Recicla Jeans é a Restaura Jeans, empresa que também oferece serviços de conserto e customização. Na ONG, é a responsável pela lavagem das peças produzidas. Apesar de apoios importantes, a Florescer vive correndo atrás de patrocinadores. A única empresa que mantinha doações fixas acabou de suspender o suporte que dava, alegando problemas financeiros decorrentes da crise econômica atual.


Os valores arrecadados com a venda das peças e com os eventos que a ONG promove durante o ano - entre os quais, a Festa Junina no Jóquei, que reúne famosos para dançar quadrilha - não cobrem os gastos fixos e os serviços oferecidos aos moradores de Paraisópolis. Além das duas oficinas de costura, a ONG oferece cursos e oficinas para 800 crianças e jovens de baixa renda, entre 7 e 16 anos. Eles têm aulas de reforço escolar, inglês, teatro, música e computação.


"Se não fosse a colaboração da família, seria muito difícil", confessa a fundadora Nadia. Esse trabalho é sua grande missão e representa também alguma esperança para os moradores da favela, considerada este ano a "primeira" na capital em quantidade de drogas apreendidas, perdendo apenas para a de Heliópolis.

domingo, 24 de maio de 2009

O centro de SP como ele é: artistas, pregadores, engraxates, camelôs...

Blogger Blogger:  São Paulo é a paulicéia desvairada e grotesca. Fotos como as da matéria publicada no maior jornal do país, 'O Estado de São Paulo', mostram a decadência a que chegamos. São tais pessoas que elegem, por ignorância, os corruptos que infestam nossa desmoralizada vida política e perpetuam o estado de miséria intelectual que caracteriza o Brasil. Quando nasci a cidade  tinha tradições européias mas acabou invadida pelas hordas vindas dos rincões d'além São Paulo e totalmente hostis aos usos e costumes  dos imigrantes que para cá vieram.  Acabo de assistir ao filme 'Kolya', rodado em Praga. Que diferença de nível da civilização lá e aqui... Vou entrar com a papelada e pedir minha cidadania tcheca. 







Edison Veiga



http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090524/not_imp376015,0.php


Um poeta diria que se trata da "sinfonia popular". Entre os que frequentam aquele caos urbano diariamente, há os que não suportam a muvuca, os que convivem bem com ela e os que, paulistaníssimos, a adoram. Não é para menos. Por dia, 2 milhões de pessoas circulam pelo centro de São Paulo. Muitos se deparam com personagens curiosos, cujo tempo de existência atravessa gerações e confere a eles o selo informal de "patrimônio" da, digamos, paisagem humana da metrópole.


Nem bem o sol nasce, antes mesmo de os ambulantes instalarem ali as banquinhas de DVDs piratas, bolsas e bijuterias, o que se veem são carrinhos de café da manhã - a broa custa R$ 0,50; o pedaço de torta sai por R$ 1. "A freguesia é ótima. O problema é quando chega o fiscal", diz Dalva, de 54 anos, que todos os dias sai às 4 horas do Jardim Ângela para vender quitutes perto da Praça da Sé. Adélio, de 25 anos, teve outra ideia: canjica no copo, por R$ 0,50. "Mas fico só até 8 horas", conta. "Quando os 'home' (da fiscalização) chegam, vou embora." Com medo de uma punição, ninguém dá sobrenome.


Às 7 horas, o comércio nos calçadões ainda está todo fechado. Os camelôs são poucos - não chegam a 15 na Rua Direita. Uma hora mais tarde já estarão em tão grande número que, misturados à multidão, se tornarão incontáveis. "Olha o CD, um é cinco, três é dez, um é cinco, três é dez", apregoa um deles. A vozearia concorre com os homens-sanduíche, tradicionais "marqueteiros da rua". Em seus jalecos, a diversidade de anúncios: "compro ouro", "foto", "atestado de saúde", "advogado"... E há os que gritam "óóó-ticaóóó-ticaóóó-tica", assim, com separação silábica e entonação características. "Em média, ganho 10% da venda a cada freguês que consigo", diz Antonio Neves, de 48 anos, alagoano de Maceió, que desde que chegou a São Paulo, há três anos, sobrevive como "anúncio ambulante".


Em dois quiosques retrôs bem arrumadinhos na Praça Antonio Prado trabalham 16 engraxates. Um deles é Valdivino Pereira Furtuoso, nascido em Carbonita (MG) há 50 anos. "Faço de 15 a 18 graxas por dia", garante ele, no ramo há 11 anos. "Naquele capricho, levo 15 minutos por cliente." O serviço custa R$ 5 e o maior movimento é na hora do almoço, quando os engraxates engatam um coro insistente aos transeuntes: "Graxa aí? Graxa aí? Graxa aí?"


E é nessa hora que o paulistano Edson Fernandes - ou, como prefere, Edson Pana -, de 43 anos, encarna o Palhaço Paninha e se esforça para atrair clientela a um restaurante por quilo. "É o espetáculo do almoço, um shoooow de almoço", repete aos passantes. Ator desde 1986, ele ganha a vida animando festas infantis e frentes de lojas. "Trabalho como se fosse o dono do estabelecimento, visto a camisa", alardeia ele, que fatura em média R$ 150 por dia. "Preciso fazer com que o cliente acredite no que eu falo." Alheio ao barulho, o desenhista William Cabral Martins, de 42 anos, faz da rua seu estúdio. Retrata as pessoas, seja ao vivo, seja reproduzindo fotografias. Cobra de R$ 15 a R$ 100, conforme o tamanho da obra.


Há também os pregadores. Entre os inúmeros que atuam na região, uma excêntrica "performance" foi presenciada pela reportagem. Aline Salgueiro Castanho, de 18 anos, utilizava a pintura para levar sua mensagem, na Praça Antonio Prado. Ela integra a Organização Palavra da Vida, um grupo ecumênico que roda o Brasil divulgando o Evangelho. "Não queremos defender nenhuma religião, mas sim o que foi designado para nós", explica ela, que é de Vitória (ES) e pertence à Igreja Batista. "Jesus é a única ponte para chegar a Deus. Apenas a cruz nos liga a Deus."


A poucas quadras dali, na esquina das Ruas 15 de Novembro e da Quitanda, um outro grupo de religiosos tem provocado polêmica. Com uma pregação enérgica - e muitas vezes lançando mão de palavras obscenas -, eles chamaram a atenção da ONG Educa São Paulo, que, em abril, entrou com uma representação no Ministério Público Estadual pedindo providências para que o grupo deixe o local. "Estamos apenas cumprindo a missão que Deus nos deu", se justifica um deles, que preferiu não ser identificado.


Perto dessa esquina, atua o rei do Ibope da rua: o mágico e contorcionista Silvio Romero de Sousa, nome artístico de Moisés Felix da Silva, de 43 anos. Em suas apresentações, reúne dezenas de pessoas. Pega emprestado um par de óculos de algum espectador e o "transforma" em um fajuto de plástico, ensaia golpes de capoeira e não aceita dinheiro pelo show. Mas, ao fim de cada espetáculo, vende óleo de copaíba e sabonete de juá - a preços decrescentes, conforme o interesse do público. "Aqui é show de rua. Ninguém é obrigado a parar. Não quero enganar ninguém", diz ele, conhecido como Baiano - apesar de ser pernambucano do Recife. Há 18 anos em São Paulo, trabalhou como vendedor do Mappin e das Casas Bahia. "Na hora do almoço, ficava olhando as pessoas se apresentarem na rua. Aprendi e há seis anos vivo disso", relata, lembrando que complementa a renda com shows em aniversário - R$ 100 por três horas.


É apenas um dos muitos artistas que podem ser vistos pelas redondezas. Imóveis, à espera de uma moedinha para interagir com o público, não são poucas as estátuas vivas. Uma delas é representada pelo paulistano Leandro Moreira dos Santos, de 29 anos, que se pinta de preto e branco e imita um robô. "Já trabalhei como vendedor de cintos em feira livre e danço break", afirma. "Mas gosto de me apresentar aqui para sentir a sintonia do povo." Povo este já habituado às figuras pitorescas do dia a dia das ruas centrais da capital. 


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