sexta-feira, 22 de maio de 2009

Mesquita do Profeta (Al-Masjid al-Nabawi), fotos da segunda maior mesquita do mundo


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Fotos da Mesquita do Profeta (
Al-Masjid al-Nabawi), em Medina, Arábia Saudita, o segundo lugar mais sagrado do Islã, e a segunda maior mesquita no mundo, depois da Grande Mesquita (Masjid al-Haram) em Meca (Arábia Saudita).












The Mosque of the Prophet (or Prophet's Mosque) (Arabic: المسجد النبوي‎ [IPA /mæsʤıd ænːæbæwiː]), in Medina, is the second holiest mosque in Islam and the second largest mosque in the world after the Masjid al-Haram in Mecca. It is the final resting place of the Islamic prophet Muhammad. The mosque is considered the second holiest mosque by both Shia and Sunni while the Al-Aqsa Mosque in Jerusalem is the third holiest.

One of the most notable features of the site is the Green Dome over the center of the mosque, where the tomb of Muhammad is located. It is not exactly known when the green dome was constructed but manuscripsts dating to the early 12th century describe the dome. It is known as the Dome of the Prophet or the Green Dome.[1] Subsequent Islamic rulers greatly expanded and decorated it. Early Muslim leaders Abu Bakr and Umar are buried in an adjacent area in the mosque.

The site was originally Muhammad's house; he settled there after his Hijra (emigration) to Medina, later building a mosque on the grounds. He himself shared in the heavy work of construction. The original mosque was an open-air building. The basic plan of the building has been adopted in the building of other mosques throughout the world.

The mosque also served as a community center, a court, and a religious school. There was a raised platform for the people who taught the Qur'an.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Julie Nakayama, cadeirante, fiscaliza as condições das calçadas da Av. Paulista

Julie Nakayama

http://guardiadapaulista.ning.com/


Eu sou a Julie Nakayama, tenho 22 anos, sou muletante desde que nasci, prematuramente e há 6 anos adotei a cadeira de rodas como “minhas pernas”, por me dar mais liberdade e mais agilidade.

Sou formada em publicidade e propaganda pela FAAP. Além disso, sou atriz e dançarina profissional.

Faço parte do Bombelêla Dance Company há 8 anos, danço street dance no Perfeito (nosso grupo de dança inclusiva), e há 6 anos faço parte também da Oficina dos Menestréis, onde fiz 7 peças: Noturno, Good Morning São Paulo Mixtureba, Vale Encantado, Banquete da Vida, Tipos, com direção de Oswaldo Montenegro e Zoom.

Além de toda essa parte artística, sou voluntária do Movimento Superação.

Com todo este histórico de atividades, agora eu tenho mais uma: a de guardiã da Paulista.

Mas, de onde surgiu a idéia?

Fui contratada pela vereadora Mara Gabrilli, eu serei a primeira Guardiã da avenida, e irei atuar em parceria com a Gerência da Paulista, criada pela Prefeitura em 2008. A idéia de “guardiã da Paulista” nasceu para sensibilizar as pessoas a manterem a avenida conservada. Não sei se vocês sabem, mas no ano passado a avenida sofreu uma reforma geral . Isso trouxe benefícios principalmente para os deficientes físicos e visuais, mas não só para a gente, para todo mundo. E além de conscientizar todos sobre a conservação da avenida, também quero mostrar que o deficiente é uma pessoa normal, como qualquer outra, mas que pequenas adaptacoes podemos viver com total independência.

As mudanças na avenida não vão beneficiar so a pessoa que usa cadeira de rodas, mas também o idoso, uma mãe com seu carrinho de bebê, alguém com mobilidade reduzida temporária, multas por exemplo. E, apesar do pouco tempo que a avenida foi reformada, já houveram muitas depredações no calcamento que estava perfeito.

Então, esse será meu papel! Afinal, não adianta ter uma avenida super acessível, onde qualquer pessoa pode andar sem restrições se os próprios usuários não a conservam. É como se estivéssemos na nossa casa.Imagina se você recebe uma visita na sua casa que chega quebrando sua calçada e pichando seu muro. É a mesma coisa. A avenida é de todos, é nossa.

Avenida Paulista ganha guardiã da mobilidade

Julie Nakayama


A cadeirante Julie Nakayama, de 22 anos, começou ontem a sua tarefa de fiscalizar as condições das calçadas de um dos símbolos de São Paulo


http://blig.ig.com.br/acessivelparatodos/2009/05/18/avenida-paulista-ganha-guardia-da-mobilidade/


Os problemas podem passar despercebidos para quem não tem deficiência física ou dificuldade de locomoção. Mas são uma pedra no caminho daqueles que precisam cruzar a avenida com o auxílio de cadeira de rodas, muletas ou bengala. Bastaram 500 metros de caminhada, com a reportagem do Estado, para que a cadeirante Julie Nakayama, de 22 anos, encontrasse quatro falhas no calçamento. “As concessionárias quebram o piso para prestar seus serviços e depois remendam mal, deixando desníveis”, diz ela, sobre o principal problema encontrado, consequência, em geral, de reparos feitos por companhias de fornecimento de água, de energia ou de gás.

Desde ontem, sua missão é relatar falhas assim - e também buracos, mesinhas de bares na calçada que atrapalhem a passagem, carros-forte estacionados que não deixam espaço para uma cadeira de rodas - à Gerência da Avenida Paulista, criada no ano passado. Para, desse modo, tentar melhorar a vida dos paulistanos que têm algum tipo de deficiência ou dificuldade de mobilidade e utilizam a avenida símbolo da cidade. “Passarei metade do dia aqui e metade na Câmara, em horários alternados”, conta ela, que é contratada como assistente parlamentar da vereadora Mara Gabrilli (PSDB), também deficiente. “Ela vai contribuir com seu olhar, por vivenciar isso no dia a dia”, diz a vereadora. “Se o trabalho der certo, podemos pensar em expandir para outros pontos da cidade.”

Formada em Publicidade pela Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), Julie foi nadadora - entre os 9 e os 16 anos de idade disputou provas internacionais - e atua como bailarina e atriz. Integrante do Movimento Superação, participa anualmente da passeata que acontece na Paulista, sempre em 3 de dezembro, em referência ao Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. “Minha luta sempre foi pela independência da pessoa com deficiência”, diz ela, que convive com a situação desde o nascimento.

Em seu primeiro dia de trabalho, ela utilizou um caderninho para anotar os problemas encontrados - e enfrentados - no percurso. Em breve, o trabalho será mais hi-tech. “Estamos querendo mandar as informações para a Gerência da Paulista via mensagem de texto de celular, para agilizar”, conta. Em http://guardiadapaulista.ning.com, ela mantém um blog colaborativo - que permite a postagem de conteúdo de autoria de leitores previamente cadastrados - e pode ser seguida pelo serviço de microblogs Twitter (www.twitter.com/guardiapaulista). “A ideia é que todos possam me ajudar a fiscalizar a avenida”, afirma Julie, nitidamente empolgada.

A princípio, o foco será voltado para a manutenção da acessibilidade das calçadas - que, após a reforma concluída no ano passado, se tornaram adaptadas a quem tem dificuldades de locomoção. Mas Julie não esconde qual é sua segunda meta: sensibilizar os comerciantes instalados na avenida para também tornarem seus estabelecimentos acessíveis aos deficientes. “Nós ganharemos com isso. E eles também, já que terão mais clientes”, defende. “Os condomínios também precisam se adaptar.”

Julie esquematizou sua rotina de modo a checar um trecho da avenida por dia. “Assim conseguirei ver tudo”, explica, deixando claro que vai se deter em qualquer detalhe que encontrar. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), cuja sede fica em um ponto central da avenida, cedeu um espaço em seu prédio onde vai funcionar o QG de Julie. “Terei onde guardar minhas coisas e utilizar o banheiro”, explica. “Também deixarei meu carro estacionado lá.”

O gabinete da vereadora faz planos pensando no sucesso de Julie. Se tudo der certo, a guardiã deve virar gibi. Está em estudo a ideia de publicar os problemas da avenida em quadrinhos. E Julie, claro, seria a protagonista. Nada mal para quem tem uma ligação umbilical com a Paulista. Ela, que sempre morou na Vila Prudente, na zona leste de São Paulo, veio ao mundo em 1986 no Hospital Santa Catarina, no número 200 da avenida.

Fonte: Estadão


http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090512/not_imp369261,0.php

Passageiros reclamam de superlotação no metrô de São Paulo


Organizações internacionais de transporte recomendam que a ocupação máxima de passageiros em um carro de metrô seja de seis pessoas por m². Mas, em São Paulo, nove cidadãos ocupam este espaço.





http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1036392-7823-PASSAGEIROS+RECLAMAM+DE+SUPERLOTACAO+NO+METRO+DE+SAO+PAULO,00.html

SP irá sediar conferência climática com 40 maiores cidades do mundo

Capital paulista concorria com outras quatro cidades. Anúncio foi feito na Coreia do Sul, onde está o prefeito Gilberto Kassab.


Veja o site do Bom Dia São Paulo

Do G1, com informações do Bom Dia São Paulo


São Paulo foi escolhida para sediar a conferência climática das 40 maiores cidades do mundo de 2011. A capital paulista concorria com outras quatro cidades, entre elas o Rio de Janeiro.



O anúncio foi feito na manhã desta quarta-feira (20), em Seul, na Coreia do Sul, durante a conferência de 2009, que termina nessa quinta-feira (21). O encontro reúne políticos e empresários, a cada dois anos, para discutir medidas de combate ao aquecimento global.


http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1160551-5605,00-SP+IRA+SEDIAR+CONFERENCIA+CLIMATICA+COM+MAIORES+CIDADES+DO+MUNDO.html

Ninhos de joão-de-barro (Campo Limpo Paulista, SP)

Talita Ribeiro/Divulgação

Ninho de passarinho em coqueiro (Socorro, SP)


Ana Cristina Niero Baldi/Divulgação


terça-feira, 19 de maio de 2009

Jurerê Internacional: o sossego dos milionários em SC


Fabrício Escandiuzzi/Especial para Terra


Florianópolis é conhecida pela beleza de suas praias, algumas quase selvagens, pela prática do surfe e pelo agito noturno da Lagoa da Conceição. Entretanto, nos últimos anos, o bairro de Jurerê Internacional, na região norte da cidade, tem se transformado no refúgio preferido de milionários de todo o Brasil e de celebridades nacionais e internacionais na capital catarinense.


Quem chega a Jurerê Internacional parece estar desembarcando em um outro país dentro de Florianópolis. Logo nas primeiras esquinas é possível conferir as luxuosas e imensas mansões cinematográficas que não contam com um único portão ou grade de proteção. Portas abertas, bicicletas e brinquedos de crianças são muitas vezes deixados no jardim do lado de fora das casas. Espanta quem está acostumado com a correria e violência dos grandes centros urbanos do país.

Ao chegar, é possível conferir bem de perto alguns dos mais cobiçados carros do mundo. Ferraris, Porches, Mercedes e outras máquinas são vistas circulando com espantosa frequência pelas planejadas e amplas ruas do bairro. Tudo isso é visto antes mesmo que o turista coloque o pé na areia e se deslumbre com as águas calmas e quentes e o mar esverdeado da praia de Jurerê.

Não é à toa que o bairro causa as mais variadas paixões, principalmente em quem já conviveu com o estresse das grandes metrópoles. A praia é uma das preferidas do visitante paulista, e a grande maioria dos proprietários das mansões são empresários que fugiram da agitada vida de São Paulo, mas não abrem mão de segurança e sofisticação.

O bairro é totalmente planejado. Foi criado há 27 anos pela Habitasul, uma incorporadora do Rio Grande do Sul. Desde sua criação, os lotes valorizaram cerca de 4.000% e o local é o que mais recebe empreendimentos de alto padrão em Florianópolis.

Segundo a empresa, a valorização é atribuída à imposições mais rígidas em Jurerê Internacional na questão urbana, o que teria preservado o bairro da especulação predatória. A preocupação com o meio ambiente e qualidade do mar é demonstrada com a implantação de sistema próprio de tratamento de água e esgotos, coleta seletiva e monitoramento permanente dos mananciais, sempre com a participação da comunidade local.

Cada vez que um novo morador chega ao local é saudado pelos vizinhos. O projeto Vizinho Solidário faz com que os moradores se apresentem e deixem números de telefone para contatos quando uma nova família chega ao bairro. Até mesmo na base operacional responsável pelo policiamento, que integra polícia civil e militar e segurança privada, os moradores, seus números de telefone e placas de carro são cadastrados.

A segurança fez com que milionários e celebridades escolhessem Jurerê Internacional para passar as férias. O local já foi visitado pelas tops Naomi Campbell, Gisele Bündchen, pelo apresentador Luciano Huck e outros.

Também foi o ponto escolhido pelo piloto da Ferrari, Felipe Massa, para oferecer uma festa ao heptacampeão mundial de Fórmula 1, Michael Schumacher, e outros pilotos que participaram de uma prova de kart em novembro na cidade, entre eles Rubens Barrichello, Tony Kanaan, Cacá Bueno e Nelsinho Piquet.

"Quem vem passar temporada em Jurerê ou quer investir no bairro se impressiona com a segurança e tranquilidade", diz a corretora Adriani Marquez, que aponta o quesito como principal fator para que celebridades e milionários escolham o bairro. "Ele também consegue reunir num único local a tranquilidade, beleza e opções variadas de lazer".

O custo de uma diária numa casa de cinco quartos, à beira da praia, gira em torno de R$ 6 mil, por um período mínimo de dez dias. Na avenida dos Búzios, a principal do bairro e distante cerca de 250 metros da praia, o custo chega a R$ 2 mil por dia.

A praia de Jurerê, em seus três quilômetros de extensão, também chama a atenção pela temperatura agradável do mar que, quase sem ondas, muitas vezes se assemelha a uma grande piscina. É ideal para famílias com crianças pequenas e que não querem se arriscar nas violentas ondas das regiões leste e sul de Florianópolis, pontos preferidos de surfistas.

Mas o agito e as baladas também invadem as areias de Jurerê no verão. Com grandes bares e restaurantes espalhados na orla, é possível deitar em espreguiçadeiras ou poltronas nos decks dos points mais badalados, pedir um champagne e apreciar o movimento de muita gente bonita ao som de DJs. Um dos locais mais badalados em São Paulo, o Café de La Musique, abriu uma "filial" à beira da praia para atrair os turistas paulistas que estão acostumados com a casa.

No final da tarde, um compromisso imperdível é se deslocar ao Open Shopping, um shopping center a céu aberto repleto de cafés, sorveterias e lojas das mais variadas.

A vida noturna em Jurerê também é das mais agitadas e o visitante não precisa se deslocar até à Lagoa da Conceição para curtir uma boa balada. Logo na rodovia de acesso ao bairro, duas das maiores casas noturnas da cidade lotam em praticamente todas as noites da temporada.

Jurerê internacional, na realidade, mais se parece com um refúgio onde os milionários e celebridades podem curtir alguns dias como um cidadão normal, sem abrir mão das casas e restaurantes luxuosos, mas também podendo optar por comprar uma caipirinha num simples carrinho de praia e bebê-la num copo de plástico.

Como chegar
O acesso a Jurerê Internacional é bem simples ¿ e muito sinalizado. Partindo do centro de Florianópolis, são apenas 25 km pela rodovia SC 401, sentido norte. O bairro está localizada a apenas 15 minutos da região central da cidade e a cerca de 25 minutos do Aeroporto Internacional Hercílio Luz.

Onde ficar
- Jurerê Beach Village
Endereço: Alameda César Nascimento, 646
Fone: (48) 3261-5100
E-mail: reservahoteis@jurere.com.br

- Pousada Casa Sin Nombre
Endereço: Rua dos Polvos, 58
Fone: (48) 3282-1379
E-mail: contato@casasinnombre.com.br

- Pousada dos Dourados
Endereço: Av. dos Dourados, 224
Fone: (48) 3282-1781 / 3282-9507

Onde comer
- Estação 261 Bar e Restaurante
Endereço: Av das Raias 261
Fone: (48) 3282-9944
E-mail: contato@estacao261.com.br

- Restaurante Taikô
Endereço: Av. das Lagostas, s/nº
Fone: (48) 3282-9714
contato@taikofloripa.com.br

- El Gran Comilon
Endereço: Av. dos Salmões, s/nº

- El Divino Beach
Endereço: Avenida dos Pampos , s/nº
Fone: (48) 3282-1816

- Café de La Musique
Endereço: Av. dos Merlins, s/nº
Fone: (48) 3282-1325

Para quem quer alugar uma mansão
- Adriani Marquez - Aluguel de Temporada - Atende Jurerê Internacional e praticamente toda a região norte de Florianópolis, como Ponta das Canas, Canasvieiras e Praia Brava.
Endereço: Avenida dos Búzios, 470 - Ed. Águas de Jurerê - Jurerê
Fone: (48) 3282-2058

- Imóveis Interpraias - Situada no Jurerê Open Shopping em Jurerê Internacional. Também atua na negociação para os interessados em comprar imóveis no bairro.
Endereço: Av. Dos Salmões, 800 - loja 6 - Jurerê Open Shopping - Jurerê Internacional
Fone:(48) 3282.0095
E-mail: interpraias@interpraias.com

Especial para Terra

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Doação de utensílios velhos e usados: endereços úteis


Como se livrar de utensílios velhos fazendo o bem

http://mulher.terra.com.br/interna/0,,OI3756751-EI1377,00-Como+se+livrar+de+utensilios+velhos+fazendo+o+bem.html


Você não sabe como se livrar do sofá velho para dar lugar a um modelo mais moderno ou onde levar o computador ultrapassado e comprar a última novidade do mercado? Antes de pensar em jogar alguma coisa no lixo, saiba que há entidades e empresas que aceitam doações desses e outros itens, como eletrodomésticos, utensílios domésticos, livros, tapetes e roupas. Você não tem o mínimo trabalho, já que algumas entidades retiram os donativos em casa com data marcada, e ainda faz o bem.

As doações passam por uma triagem - a fim de separar o que está em bom estado e o que precisa de reparos - para serem vendidas por preços módicos em bazares. O que não pode ser reparado e materiais reciclados são vendidos como sucata. A renda serve para ajudar as pessoas assistidas pelas instituições. A família da jornalista Fernanda Couto, de São Paulo, já fez o movimento de ida e volta. Ou seja, quando ela foi morar sozinha, todos os móveis de sua casa foram comprados dessa maneira e sua mãe também já doou peças a instituições desse tipo. "Não dá para jogar móveis, peças de decoração e outros utensílios no lixo. Eles podem ser úteis para outras pessoas", diz.

É o caso da estante antiga de pé palito, que não servia mais para uma família, e foi parar na casa da jornalista. "Foi um dos primeiros móveis que adquiri dessa maneira há quatro anos, por R$45 na época", diz Fernanda, que adora peças com visual vintage e, às vezes, ela mesma lixa, enverniza ou customiza as aquisições encontradas nos bazares.

Bazares
No Centro Espírita Lar Casas André Luiz, foi criado o bazar Mercatudo, que existe há 50 anos (a entidade funciona há 60 anos) e atende oito pontos para vender as doações. O resultado das vendas de móveis, roupas, sapatos, eletrodomésticos, livros, brinquedos e materiais recicláveis corresponde a 40% do orçamento da entidade que assiste gratuitamente cerca de 600 internos com doenças mentais em seu hospital, além de atender crianças no ambulatório. "Temos até UTI dentro da instituição", diz a supervisora de doações, Cecília Pozzi Lucchesi. Basta ligar que a instituição dá um prazo de 72 horas para retirar os donativos no local marcado, desde que seja em São Paulo, Grande São Paulo e nas regiões de Sorocaba e Campinas.

No Lar Escola São Francisco, é feito o mesmo esquema de atendimento domiciliar com agendamento em São Paulo e Grande São Paulo. Segundo a gerente Clélia Salgado, são agendadas 40 doações por dia em média. Para isso, diariamente, cinco caminhões saem de manhã da entidade para buscar brinquedos, roupas, computadores, eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos, móveis, tapetes, quadros, vidros, livros e utensílios domésticos em geral. O resultado é o famoso bazar Samburá, que comercializa os donativos em forma de mercadorias, o que gera receita financeira para custear o tratamento de portadores de deficiência física carentes no Centro de Reabilitação da entidade. De acordo com Célia, de 200 a 300 pessoas visitam o bazar por dia, e a representação das vendas no orçamento da entidade é de 31%.

No Paraná, a Rede Solidária Curitiba recolhe móveis e roupas em toda a Região Metropolitana da capital paranaense. Todas as quartas-feiras e no segundo sábado de cada mês, promove bazar para a venda das peças, que não passam por reforma alguma. A ação é uma iniciativa de um grupo de imobiliárias curitibanas. O dinheiro arrecadado com as vendas é colocado numa conta bancária e, a cada seis meses, o valor total é dividido para quatro instituições: Hospital Pequeno Príncipe, Fepe (Fundação Ecumênica de Proteção ao Excepcional), Afece (Associação Franciscana de Educação ao Cidadão Excepcional) e ao asilo Socorro aos Necessitados. Na última distribuição, cada entidade recebeu R$ 7 mil.

O Exército da Salvação é outra opção para quem deseja doar objetos que não usa mais. Os donativos são classificados, consertados e avaliados para venda, cuja renda vai ajuda o financiamento de atividades sociais. O Exército atende em São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Joinville (SC), Pelotas (RS) e Suzano (SP).

Endereços de locais que recebem doações e lixo eletrônico:

Casas André Luiz
A entidade realiza há 50 anos o Mercatudo, cujo dinheiro arrecadado corresponde a 40% dos gastos de assistência a 600 internos com doença mental.
www.mercatudo.org.br
Informações: 0800 7734066


Lar Escola São Francisco
Cinco caminhões saem diariamente para buscar doações. Venda corresponde a 31% do valor destinado a ajudar tratamento de pessoas carentes que tenham deficiência física.
Informações: (11) 5908-7899
www.lesf.org.br

Exército da Salvação
Donativos são classificados, consertados e avaliados para venda. Atende em São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Joinville (SC), Pelotas (RS) e Suzano (SP).
www.exercitodoações.com.br

Museu do Computador
Recebe todo tipo de material de informática, jogos e telefones. São oito pontos de entrega, Na Grande São Paulo, eles estão localizados no ABC Paulista, Zona Norte, Zona Sul, Interlagos e Osasco. No interior de São Paulo, há um posto em Campinas. E, no Rio de Janeiro, em Jacarepaguá. É preciso preencher um formulário disponível no site http://blogdocurador.museudocomputador.com.br/?p=416
Informações: (11) 4616-2398

Comitê para Democracia da Informática
Recebe computadores que funcionam para serem reformados e aproveitado pela população carente. Atende todo o Brasil.
www.cdi.org.br
Informações: (21) 3546-6570

Rede Solidária Curitiba
Recebe e recolhe doações de móveis e roupas em toda Região Metropolitana de Curitiba. O dinheiro arrecadado com a vendas peças é dividido para quatro entidades.
Informações: (41) 3049-1790
http://www.socorroaosnecessitados.org.br

Dell
Em parceria com a Fundação Pensamento Digital (FPD), a fabricante Dell desenvolve projetos sociais de inclusão em comunidades de baixa renda usando computadores doados.
www.dell.com.br/doeseucomputador

Nokia
Recolhe aparelhos e acessórios, inclusive de outras marcas. No site, basta clicar o Estado e a cidade para saber onde levar.
http://www.nokia.com.br/A4524104

Motorola
Desde 1999 tem o programa de reciclagem de baterias. No período, já reciclou mais de 150 toneladas do produto.
www.motorola.com

HP
Desde 2002 recolhe e encaminha baterias para a reciclagem. http://www.hp.com/latam/br/baterias/index.html

Porto Seguro
A companhia de seguros lançou a campanha de reciclagem de cartões de plástico, celulares e baterias. Após serem recolhidos em postos da empresa, os produtos são encaminhados para reciclagem. www.portoseguro.com.br

Moradores de cidade alemã sonham com ruas sem carros

Uma mulher e uma criança andam por uma das ruas car-free do distrito alemão

15 de maio de 2009

The New York Times


ELISABETH ROSENTHAL

Do New York Times News


http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI3769162-EI8142,00-Moradores+de+cidade+alema+sonham+com+ruas+sem+carros.html


Residentes da comunidade de luxo de Vauban, na Alemanha, são pioneiros do subúrbio, fazendo o que poucas donas de casa e executivos indo ao trabalho fizeram antes: eles abriram mão de seus carros.

Estacionamento na rua, entrada para carros e garagens residenciais são proibidos nesse novo distrito experimental nos arredores de Freiburg, próximo à fronteira com a Suíça. As ruas de Vauban são completamente "livres de carros" - com exceção da via principal, onde o bonde para o centro de Freiburg passa, e algumas ruas nos limites da comunidade. É permitido possuir carros, mas há apenas dois lugares para estacionar - amplas garagens nos limites do complexo, onde um dono de carro compra uma vaga, por US$ 40 mil, além da casa.

Como resultado, 70% das famílias de Vauban não têm carros, e 57% venderam o carro para se mudarem para cá. "Quando tinha um carro, sempre estava tensa. Estou muito mais feliz assim", disse Heidrun Walter, treinadora de mídia e mãe de dois filhos, enquanto caminhava pelas ruas verdejantes onde o apito de bicicletas e o burburinho de crianças abafam o som de algum motor distante e ocasional.

Vauban, concluída em 2006, é um exemplo de uma tendência crescente na Europa, nos Estados Unidos e em outros lugares, que tem o intuito de separar a vida no subúrbio do uso de carros, fazendo parte de um movimento chamado "planejamento inteligente".

Automóveis são um elemento essencial dos subúrbios, onde famílias de classe média de Chicago a Xangai tendem a construir seus lares. E isso, dizem os especialistas, é um grande impedimento para a redução drástica das emissões que saem dos escapamentos, e, portanto, para a redução do aquecimento global. Carros de passageiros são responsáveis por 12% das emissões de gases do efeito estufa na Europa - uma proporção que está crescendo, segundo a Agência do Meio Ambiente Européia - e por até 50% em algumas áreas com excesso de carros nos Estados Unidos.

Embora tenham ocorrido esforços nas últimas duas décadas para tornar as cidades mais densas, e melhores para caminhar, os urbanistas estão agora levando o conceito aos subúrbios e focando especificamente em benefícios ambientais como a redução de emissões de gases. Vauban, lar de 5,5 mil residentes em uma área retangular de 1,6 km2, é talvez o experimento mais avançado sobre a vida no subúrbio com poucos carros. Mas seus preceitos básicos estão sendo adotados ao redor do mundo na tentativa de torná-los mais compactos e acessíveis ao transporte público, com menos espaço para estacionamentos. Nessa nova abordagem, é possível ir andando até lojas em uma rua principal, ao invés de shoppings localizados em uma estrada distante.

"Todo o nosso desenvolvimento desde a Segunda Guerra Mundial se centrou no carro, e isso tem que mudar," disse David Goldberg, da Transportes para a America, uma coalizão de centenas de grupos que cresce rapidamente nos Estados Unidos - incluindo grupos ambientais, prefeituras e a Associação Americana de Aposentados - promovendo novas comunidades menos dependentes dos carros. Goldberg acrescentou: "Quanto você dirige é tão importante quanto ter um carro híbrido".

Levittown e Scarsdale, subúrbios de Nova York com casas amplas e garagens particulares, foram as cidades dos sonhos dos anos 1950 e ainda exercem um forte apelo. Mas alguns subúrbios novos podem parecer mais com Vauban, não apenas em países desenvolvidos, mas também no mundo em desenvolvimento, onde a emissão de gases de um número crescente de carros particulares de uma classe média florescente está sufocando as cidades.

Nos Estados Unidos, a Agência de Proteção Ambiental está promovendo comunidades "com menos carros" e legisladores estão começando a agir, mesmo que cautelosamente. Muitos especialistas esperam que o transporte público que serve os subúrbios passe a ter um papel muito maior em um novo projeto de lei, a ser aprovado ainda este ano, Goldberg disse. Em projetos de lei anteriores, 80% da verba foi para estradas e apenas 20% para outros transportes.

Na Califórnia, a Associação de Planejamento da Área de Hayward está desenvolvendo uma comunidade parecida com Vauban, chamada Quarry Village, nos arredores de Oakland, acessível sem um carro pelo sistema público de transporte rápido e pelo campus de Hayward da Universidade Estadual da Califórnia.

Sherman Lewis, professor emérito da universidade e líder da associação, diz que ele "mal pode esperar para se mudar" e espera que a Quarry Village permita que sua família reduza o número de carros de dois para um, e possivelmente para zero. Mas o atual sistema ainda encontra empecilhos, ele disse, observando que os financiadores de hipotecas se preocupam com o valor de revenda de casas de meio milhão de dólares que não têm espaço para carros, e a maioria das leis de zoneamento nos Estados Unidos ainda exige duas vagas de estacionamento por unidade residencial. Quarry Village obteve uma exceção do município de Hayward.

Além disso, convencer as pessoas a abrirem mão dos carros é extremamente difícil. "As pessoas nos EUA são incrivelmente desconfiadas de qualquer idéia que envolva não ter carros, ou ter menos carros", disse David Ceaser, co-fundador da CarFree City USA, que disse que nenhum projeto de subúrbio livre de carros do tamanho de Vauban teve sucesso nos Estados Unidos.

Na Europa, alguns governos estão pensando em escala nacional. Em 2000, a Grã-Bretanha iniciou uma abrangente reforma de seu planejamento urbano, com o intuito de desencorajar o uso de carros ao exigir que novos empreendimentos fossem acessíveis pelo trânsito público.

"Empreendimentos que envolvam trabalho, compras, lazer e serviços não deveriam ser projetados e localizados sob a suposição de que o carro vai representar o único meio realista de acesso para a maioria das pessoas", disse o PPG 13, documento de planejamento urbano revolucionário de 2001 do governo britânico. Dezenas de shoppings, restaurantes fast-food e complexos residenciais foram rejeitados com base nas novas regulações britânicas.

Na Alemanha, lar da Mercedes-Benz e da Autobahn, estrada de alta velocidade, a vida em um lugar com menos carros como Vauban tem sua própria estrutura incomum. Ela é longa e relativamente estreita, de modo que o bonde para Freiburg fique a uma distância curta de todos os lares. Lojas, restaurantes, bancos e escolas estão mais intercalados entre as residências do que em um típico subúrbio. A maioria dos residentes, como Walter, possui carrinhos atrás de bicicletas para fazer compras ou levar as crianças para brincar.

Para ir a lojas como IKEA ou esquiar nas montanhas, as famílias compram carros juntas ou usam carros comunitários alugados pelo clube de compartilhamento de carros de Vauban.

Walter já morou - com um carro particular - em Freiburg e nos Estados Unidos. "Se você tem um carro, você tende a usá-lo", ela disse. "Algumas pessoas se mudam para cá e vão embora rapidamente - elas sentem falta do carro estacionado à porta".

Vauban, local de uma antiga base militar nazista, foi ocupada pelo Exército francês no final da Segunda Guerra Mundial até a reunificação da Alemanha há duas décadas. Por ter sido planejada como uma base, sua estrutura nunca teve a intenção de acomodar o uso de carros particulares: as "ruas" eram estreitas passagens entre barracas.

Os edifícios originais foram há muito tempo derrubados. As estilosas fileiras de casas que os substituíram são construções de três ou quatro andares, desenvolvidas para reduzir a perda de calor e maximizar a eficiência energética, e decoradas com madeiras exóticas e varandas elaboradas; casas isoladas das outras são proibidas.

Por natureza, as pessoas que compram casas em Vauban têm inclinação para cobaias ambientais - de fato, mais da metade vota no Partido Verde alemão. Mesmo assim, muitos dizem que é a qualidade de vida que os mantém aqui.

Henk Schulz, cientista que em uma tarde no mês passado estava assistindo a seus três filhos passearem por Vauban, se lembra de seu entusiasmo ao comprar seu primeiro carro. Agora, disse, ele está feliz em criar seus filhos longe dos carros; ele não precisa se preocupar com a segurança deles nas ruas.

Nos últimos anos, Vauban se tornou um nicho comunitário bem conhecido, apesar de ter gerado poucos subúrbios que seguiram seu exemplo na Alemanha. Mas ainda não se sabe se o conceito vai funcionar na Califórnia.

Mais de 100 candidatos a residentes se inscreveram para comprar uma casa no subúrbio de Quarry Village em Bay Area, e Lewis ainda precisa de cerca de US$ 2 milhões em financiamento para tirar o projeto do papel. Mas, caso a idéia não dê certo, a sua proposta alternativa é construir no mesmo local um condomínio no qual o uso do automóvel seja totalmente liberado. Ele seria chamado de Village d'Italia.

Tradução: Amy Traduções

domingo, 17 de maio de 2009

São Paulo precisa ter um plano de arborização

Benedito Abbud
 Arquiteto paisagista e professor universitário
Alex Silva/AE

Abbud - “Hoje, com tanta informação sobre o aquecimento global, parece que as pessoas estão mais atentas às questões ambientais”

"As árvores melhoram a qualidade da temperatura, diminuem a poluição. O plantio não resolve o problema, mas ajuda.” Benedito Abbud

 Duas vezes presidente da Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas (Abap) - nos biênios 1987-1988 e 1999-2000 -, formado em 1974 pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, o arquiteto paisagista e professor Benedito Abbud fundou em 1981 sua própria empresa, hoje com um portfólio de aproximadamente 3.500 projetos paisagísticos desenvolvidos em todo o Brasil e em outros países, como Argentina, Uruguai e Angola. São projetos de condomínios verticais e horizontais, residências, empreendimentos corporativos e comerciais, hotéis e flats (urbanos e resorts), loteamentos (residenciais e industriais), habitações compactas, shoppings centers, parques e áreas especiais. Antes mesmo de se formar, já trabalhava com paisagismo. Soma, portanto, quase quatro décadas de vivência na área, sobre a qual fala com segurança, desenvoltura. Constata diversos problemas ambientais na cidade de São Paulo, mas preocupa-se em propor soluções, como pode ser visto nesta entrevista concedida ao Estado de S. Paulo.

A questão ambiental era vista, até umas décadas atrás, como coisa dos ecochatos. Com o tempo, se viu que era o caso de botar os pingos nos is, cada coisa no seu lugar. Hoje, com toda a questão do aquecimento global, parece que as pessoas estão mais atentas a esse assunto, com o qual a gente já se preocupava há muito tempo.  Esse é o tema prioritário de sua formação profissional?
Trabalho desde 1970 com paisagismo. Não apenas na área de jardins, mas paisagismo urbano de maneira mais abrangente, paisagismo regional. Dei aula na USP e uma das disciplinas tinha a ver com o entendimento da paisagem regional em termos de clima, de costumes, de visual. Não me limitava ao jardim. Naquela época, a jardinagem cuidava do jardim, e o paisagismo cuidava das questões mais macro. Aí os jardineiros achavam que paisagismo era mais bacana, e todo o mundo começou a usar esse termo. Em conseqüência, a palavra paisagismo passou a abarracar uma grande quantidade de perfis.

São quase 40 anos, portanto, lidando com paisagismo e qualidade ambiental?
Sim, desde quando se falava em industrialização a qualquer custo. O que se dizia era mais ou menos assim: queremos que venham mais indústrias pra o Brasil, precisamos de emprego para o nosso pessoal, mesmo que seja com poluição. Desde aquela época a gente já insistia em afirmar que é importante desenvolver sem depredar. Trata-se de uma questão de postura, de planejamento, de desenvolver alguma tecnologia para atingir essa harmonia entre crescimento e qualidade ambiental.

Esse foi um tempo em que despontaram como símbolos brasileiros da ecologia nomes como José Lutzembnerger, Burle Marx, Franz Krajberg...
Em 1977 fiz uma expedição com o Burle Marx ao Pantanal, com o viés do reconhecimento da vegetação. Lembro que nessa época ele dava muita entrevista com foco no desmatamento. Ele e o Lutzemberger tinham a preocupação de informar sobre a questão ecológica. Já o Krajberg, como é mais artista, usava a matéria-prima da queimada como uma bandeira, como referência de um discurso preservacionista.

Passados trinta anos, o que se pode dizer a esse respeito na cidade de São Paulo?
Recentemente, fui convidado para trabalhar na Casa Cor. Foi interessante porque a gente fez uma reflexão sobre como as calçadas poderiam ajudar na cidade de São Paulo. Normalmente , quando se pensa em calçada, vem a idéia de dois metros de largura por dez de comprimento, em frente da casa de cada um. Só que tivemos a preocupação de somar tudo isso e chegamos a 60 mil quilômetros. Temos na cidade 60 mil quilômetros de calçada, o que significa uma vez e meia a volta da Terra. É enorme, em termos de área.

Com reflexos ambientais na cidade?
Sim, sem dúvida. Qual é um dos problemas ambientais mais sérios da cidade? São as enchentes, que acontecem todo ano. No passado, vários parques foram criados, na cidade, como áreas de alagamento. O Parque Dom Pedro foi um deles, porque as enchentes do Tietê eram um acontecimento natural. A calha do Tietê tem pouco declive. Em sua origem, o Tietê é um rio de meandros, como acontece com os rios de planície. Depois, houve intervenções nos rios de São Paulo. Uma das mais notáveis se deu na época da construção da represa Billings, que puxa a água do Pinheiros para jogar serra abaixo. É por isso que o Pinheiros ora corre numa direção, ora corre na direção oposta. São bombas que puxam a água do rio, invertendo o seu curso conforme a conveniência. É uma tecnologia maravilhosa, tanto na época como atualmente, que só é possível por se tratar de rio de planície.

Os dois rios principais de São Paulo, Tietê e Pinheiros, têm essa característica?
Sim, ambos são meândricos. Depois, com a urbanização, com a retificação, a várzea desses rios foi sendo tomada. Como a cidade invadiu essas áreas, todo ano acontece a tragédia anunciada das enchentes, em janeiro, fevereiro e março, com tanta gente perdendo tudo o que tem. Hoje há algumas medidas preventivas, como a obrigação de se deixar 15% de área permeável no terreno. Em alguns casos, dependendo da natureza da construção, a área permeável tem que chegar a 30%. Mesmo assim, o índice de impermeabilização continua alto e cada vez mais a água das chuvas chega aos mesmos pontos, que são as áreas mais baixas da cidade.

O que pode ser feito para diminuir esse problema?
Os pisos drenantes podem ajudar. O que são esses pisos drenantes? São pisos duros, de concreto, mas que parecem uma peneira: a água cai em cima e sai embaixo. Desenvolvemos esse piso em conjunto com a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

Para ser usado nas calçadas?
Sim. Se cobrirmos todas as calçadas da cidade com esse piso, teremos um efeito semelhante ao da construção de 120 piscinões. Não digo que isso resolvesse o problema das enchentes, mas seria um primeiro passo de grande importância. Para assentar esse piso, começa-se por colocar uma camada de brita grossa, depois brita fina, areia e, por cima, o piso drenante. Com isso, a água que cai é drenada, em vez de correr para as partes mais baixas. A água é drenada exatamente onde deve ser drenada, indo direto para o chão e alimentando o lençol freático, hidratando as árvores das ruas.

O piso drenante é muito mais caro que o piso normal?
Não é muito mais caro, mas a relação custo benefício é bem mais interessante. Poderia até evitar a solução dos piscinões, que tem seus inconvenientes. São grandes reservatórios temporários, feitos para a água da chuva não chegar aos rios. Depois das chuvas, é preciso bombear a água dos piscinões, o que inicialmente traz o problema do gasto de energia. Ao se esvaziar o piscinão, sai junto todo o lixo que ali é acumulado, todo o material orgânico. Depois de esvaziado, fica no fundo uma lama que muitas vezes apodrece, cheira mal, junta baratas, ratos, pernilongos.

Sendo poroso, o piso drenante não dificulta a caminhada?
Não dificulta. Esse que desenvolvemos com a ABCP não dificulta. É um produto já disponível no mercado, pelo menos duas empresas estão fabricando, e eu não tenho nenhum roialty sobre isso. Ajudei a desenvolver pensando na cidade, no problema da água na cidade. Pelo que se sabe, o Brasil tem 13,5% da água existente no mundo. Só que, dentro do Brasil, essa água tem uma distribuição desequilibrada. A região norte, tão pouco habitada, fica com cerca de 12%, enquanto o sul e o sudeste, densamente habitados, ficam com 1,5%. Isso significa que, apesar de o Brasil realmente ter muita água, devemos tratá-la como um recurso escasso.

A cidade de São Paulo busca água cada vez mais longe.
Sim, cada vez é preciso ir mais longe, e quando se fala em sustentabilidade, temos que levar em conta a necessidade de minimizar o uso de energia. O ideal seria tornar as regiões auto-sustentáveis, sem importar tanto, nem de tão distante, para sobreviver. É normal que os grandes centros não gerem toda a sua energia, mas quanto menos importarem, melhor.

Nesse sentido, economizar água com o piso drenante seria um recurso. Há outros?
Desenvolvemos também o que chamamos de tec garden. São placas de plástico reciclado para serem colocadas sobre laje. Hoje em dia, na cidade de São Paulo, as lajes são enormes. Nas estações de metrô, nos prédios com suas garagens, a quantidade de lajes é muito grande, o que significa também a oportunidade de ter jardins sobre elas. Esse elemento, que é simplesmente uma plaquinha que projete a laje dos golpes comuns do manejo de jardins, funciona como se fosse uma base de copinhos, como estes aqui na mesa. Essa base é furada em baixo e recobre a laje. O ralo fica um pouco mais alto, funciona num primeiro momento como um grande retentor de água. Dentro da placa coloca-se fibra de coco, altamente hidrófila. Em seguida coloca-se um elemento semelhante ao perfex que se usa na cozinha, para fazer um filtro. Por cima vem a terra. Quando chove, a água passa pela terra, continua descendo e, ao chegar à laje, sobe até o ponto em que escoa pelo ralo. Parou de chover, vem o sol, aí começa a secar, as plantas absorvem a água. Por capilaridade, a água retorna ao jardim.

Essas idéias já chegam aos governos, à população?
Dependemos dos meios de comunicação. A gente comenta, mas para um grupo pequeno. Com a participação dos meios de comunicação, a idéia chega a um número bem maior de pessoas.

Mais gente, então, poderia aderir?
Fizemos isso pensando numa solução que pode vir a ser o futuro. No Japão, hoje em dia, a pessoa não pode jogar o esgoto de sua casa diretamente na rede, no mar, no rio. Existe lá o que eles chama de micro-estações de tratamento de esgoto. É uma solução muito mais inteligente que as conhecidas até aqui. Em vez de transportar esgoto por vários quilômetros de tubos, até uma macroestação de tratamento, mais simples, barato e eficaz é cada um tratar o seu esgoto. Hoje existe tecnologia para isso. O equipamento é praticamente um tambor de cerca de 200 litros, que pode fazer o tratamento do esgoto da casa toda, do prédio inteiro. Hoje, o problema é que o esgoto sai bruto das casas, dos prédios, dos condomínios, e assim não pode ir para o rio.

Essa solução já começou a ser aplicada?
Sim. No Arquitetura de Morar, um bairro que a Camargo Correa fez no Morumbi, a gente desenvolveu esse conceito, foi até publicado pelo Estado. São pequenas ações que a gente está desenvolvendo, mas o potencial é enorme. Hoje em dia a questão ambiental não passa apenas por um elemento. Tem que ser vista como um sistema. Além da água, é preciso ver também a vegetação. No Estado de hoje (ontem), no caderno Metrópole, vem a notícia de que a cidade de São Paulo vai pagar uma taxa para quem plantar árvores na periferia. São R$ 25,80 por árvore plantada. Na própria reportagem, é citado um técnico da prefeitura, o Paulo del Pichia, que conheço bem. Concordo com o que ele diz: não adianta plantar qualquer árvore, em qualquer lugar. Por que em vez de solução, pode-se criar um problema. Ao plantar, todas as árvores são pequenas, são mudas. Mas é preciso ter conhecimento para ter uma idéia do que aquela muda vai ser, quando crescer.

É preciso ter critério, para tocar adiante um plano assim?
É fundamental que a prefeitura tenha um plano de arborização. Na década de 1980, participei de um trabalho pioneiro no mundo, poucas cidades fizeram isso: um mapeamento da vegetação importante que existe na cidade de são Paulo. Fomos três escritórios, contratados pela prefeitura, e estudamos 3.500 situações de árvores isoladas ou de árvores em conjunto. No livro, por uma questão de espaço, colocamos cerca de 500 situações. A idéia era premiar, em vez de punir, quem tivesse árvore importante em seu terreno. Em casos assim, o terreno perde valor, porque a existência da árvore impede o seu aproveitamento total para construção. Com isso, o proprietário é punido. Pensávamos em compensar o proprietário, dando a ele o direito de tantos metros quadrados, o equivalente ao que ele perdesse por preservar as árvores.

Que destino teve o trabalho?
Infelizmente, não deu no que a gente queria. As árvores importantes do nosso levantamento foram tombadas, e não era isso o que a gente queria. Várias daquelas casas fantásticas da avenida Paulista, por exemplo, foram tombadas, com suas árvores, e acabaram literalmente destruídas, porque ninguém queria ter uma casa tombada que ficava sem valor.

É preciso haver um critério, junto com a idéia de premiar?
O problema é o critério. Ou a falta de critério. Como eu já disse, a árvore pode ser uma solução, mas pode ser um problema, também. Uma vez um trabalho, em Uberlândia, onde nas laterais de uma praça foram plantas figueiras, que são árvores de grande porte. A população adorava, mas os vizinhos da praça e das figueiras detestavam. As raízes das figueiras àquela altura haviam atravessado a rua, estavam levantando as calçadas, trincando as paredes das casas. Os vizinhos queriam arrancar as figueiras. O resto da cidade queria preservá-las. Propusemos então que se fizessem trincheiras, junto às calçadas, e se construíssem muros subterrâneos, de concreto, para a raiz da árvore bater no muro e se desviar para baixo, em vez de avançar em direção às casas.

Fala-se muito em neutralização, para que cada um plante árvores para compensar a poluição que produza. Pode funcionar?
Pode funcionar, mas o ideal é que a neutralização seja feita na própria cidade. Em vez de plantar na serra não sei onde, ou fazer como nos Estados Unidos, onde as pessoas vão plantar na África, na Ásia, o melhor é plantar no próprio tecido urbano em que a pessoa vive. Se causo problemas ambientais em São Paulo, devo plantar árvores em São Paulo mesmo. A arborização é fundamental, numa cidade. Melhora a qualidade da temperatura, por exemplo. O sol bate nos prédio, no asfalto, aquece rapidamente e, à noite, esfria rapidamente. A vegetação, como usa o o sol para a fotossíntese, ameniza o calor. Como a vegetação transpira, melhora a umidade relativa do ar, o que contribui para diminuir a poluição, pois a poeira tende a ficar nas folhas umedecidas das árvores. Não é que o plantio de árvore vá resolver o problema da poluição. Esse é um problema a ser resolvido na fonte, que são sobretudo os carros, mas as árvores ajudam.

Frases
“Em 1977 fiz uma expedição com o Burle Marx ao Pantanal. Ele e o Lutzemberger se preocupavam em informar sobre ecologia. Já o Krajberg, como é artista, usava a matéria-prima da queimada
como bandeira, como referência de um discurso ambientalista.”
“São 60 mil quilômetros de calçadas, em São Paulo, uma vez e meia a volta da Terra. Calçada com piso drenante pode ajudar a diminuir as enchentes. São pisos de concreto, mas que parecem uma peneira: a água cai em cima e sai embaixo.”
“O ideal é que a neutralização seja feita na própria cidade onde a pessoa vive. Se crio problemas ambientais na cidade de São Paulo, devo plantar árvores em São Paulo mesmo.”


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