sábado, 16 de maio de 2009

Antigo Fura-Fila funcionará como um monotrilho japonês

Sem paralelo no Brasil, sistema opera desde 1964 com tração elétrica e pneus sobre um trilho


Daniel Gonzales, JORNAL DA TARDE


http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090513/not_imp369961,0.php


Um sistema de monotrilho japonês, que opera desde 1964 em Tóquio ligando o centro ao Aeroporto de Haneda, 30 quilômetros ao sul, servirá de inspiração para o modelo paulistano a ser implementado no Metrô Leve Expresso Tiradentes, o antigo Fura-Fila. O prefeito Gilberto Kassab, que está em visita oficial ao Japão, conheceu o centro de operação da Tokyo Monorail Corporation e fez uma viagem de 17,8 quilômetros entre as estações de Hamamatsucho e Haneda. Ele afirmou que o sistema do "Fura-Fila" japonês será utilizado na capital. A Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) confirmou a informação: trata-se de um Veículo Leve sobre Trilho (VLT).


Na semana passada, Prefeitura e Estado anunciaram um convênio para completar a obra até Cidade Tiradentes (zona leste) por meio de "metrô leve", em um trecho de 22,3 quilômetros. O secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, que também está em Tóquio, disse na ocasião que os veículos teriam pneus e circulariam em via elevada por todo o trajeto, mas não especificou o tipo de tecnologia a ser adotada.


Sem paralelo no Brasil, o monotrilho opera com veículos de seis vagões, tração elétrica e pneus de borracha sobre um único trilho plano, de concreto, posicionado no centro do elevado. A alimentação de energia é feita por um terceiro trilho na lateral e duas guias de orientação em ambos os lados servem para manter a estabilidade das composições, que chegam a trafegar a 40 quilômetros por hora. Placas metálicas presas nos veículos "abraçam" o trilho central.


Uma ilustração não oficial que o Jornal da Tarde obteve junto ao Metrô (mais informações nesta página) mostra a via elevada a uma altura média de 11 metros. Embora bem mais caro do que um corredor de ônibus - a obra está orçada em R$ 2,3 bilhões, frente a R$ 600 milhões que seriam gastos com um corredor -, o monotrilho elevado tem a vantagem de interferir menos na superfície e não provocar desapropriações. Cerca de 70 cruzamentos e/ou interferências viárias serão eliminadas com o modelo. Cada uma das 59 composições previstas para o metrô leve terá capacidade para receber até 1 mil passageiros. A demanda estimada é de 350 mil passageiros/dia - a linha japonesa atende a uma média de 280 mil.


Dos recursos necessários para a obra, a Prefeitura deve entrar com R$ 1 bilhão, que pela promessa de campanha de Kassab seriam destinados ao sistema de metrô. O governo do Estado vai contribuir com o outro R$ 1,3 bilhão. "A ideia é transferir esses recursos (ao Estado) o mais rapidamente possível", disse Kassab, em Tóquio.


Segundo o Metrô, os primeiros editais para a primeira fase das obras (de Vila Prudente ao Parque São Lucas), a entrar em funcionamento até o fim de 2010, incluem projetos básico, funcional e relatório de impacto ambiental e serão publicados "logo no início" do segundo semestre. O secretário estadual de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, afirma que haverá uma segunda fase, de São Lucas até São Mateus (2011), e a terceira até Cidade Tiradentes (2012). 

Lapa: lista de imóveis tombados fica menor


Exclusão de 23 libera 1,5 mi de m² na região para a construção civil

Vitor Hugo Brandalise

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090513/not_imp369972,0.php


Após mais de nove meses de discussão, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo (Conpresp) decidiu ontem excluir do processo de tombamento 23 imóveis na região da Lapa, zona oeste da capital. Na mesma reunião, aprovou tombamento de outros 17 imóveis, incluindo o Mercado Municipal da Lapa, a Estação Ciência, o Sesc Pompeia e a Casa de Guilherme de Almeida, em Perdizes.


Os imóveis entraram na pauta do conselho por indicação popular, em audiências públicas nas 31 subprefeituras, durante a elaboração dos Planos Regionais Estratégicos, em 2004, como Zona Especial de Preservação Cultural (Zepecs). Conforme o Estado revelou em agosto do ano passado, a exclusão dos imóveis do processo de tombamento libera cerca de 1,5 milhão de metros quadrados, que estavam, desde 2004, impossibilitados de serem utilizados pela construção civil. A maior parte dos bens excluídos fica perto da chamada "Lapa de baixo", nos arredores da linha férrea usada pela empresa de cargas MRS e pela Companhia Paulista de Trens Metropolitano (CPTM) - exatamente a área em que está prevista a Operação Urbana Vila Leopoldina-Jaguaré, cuja intenção é levar cerca de 175 mil pessoas à região degradada da Lapa.


O valor histórico dos imóveis excluídos, principalmente galpões e casarões da primeira metade do século passado, é contestado por especialistas e pela Secretaria da Cultura desde as primeiras reuniões, no ano passado. "As análises foram minuciosas, para separar o que tinha valor histórico", afirma o presidente do Conpresp, José Eduardo de Assis Lefèvre. "Havia casos em que os imóveis indicados para tombamento nem existiam mais ou que estavam descaracterizados. Não poderíamos tombá-los assim."


No total, foram excluídos do processo de tombamento oito conjuntos de casas e sete de antigos galpões. "Há imóveis abandonados, cuja utilização já não é absolutamente a que foi prevista. É natural que, agora, seja encontrado um novo uso, seguindo o zoneamento proposto pela Prefeitura", disse Lefèvre.


Para entidades de defesa da região, a decisão do conselho, que abre caminho para novos empreendimentos imobiliários, vai mudar a cara do bairro. "Fica claro o objetivo de desobstruir as proximidades da linha férrea, exatamente o ponto de ligação entre duas operações urbanas, a Água Branca e a Leopoldina-Jaguaré. Com espigões próximos da ferrovia, a Lapa histórica, dos trens e dos operários, será completamente esquecida", afirma a geógrafa Ros Mary Zenha, integrante do Conselho de Desenvolvimento Sustentável da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente na Lapa. "Na lista dos bens tombados há duas igrejas, três colégios, o Mercado da Lapa (veja lista abaixo), somente as grandes unanimidades, e não há quase nada da Lapa histórica. O projeto deveria ser de preservar e recuperar o que caracteriza o bairro e não liberar esse espaço para demolição."


Entre os imóveis excluídos estão reivindicações antigas de moradores do bairro, como a vidraria Santa Marina - atual Saint Gobain Vidros -, fundada em 1896 na Avenida Santa Marina, e o galpão industrial da Fábrica de Tecidos e Bordados da Lapa, na Rua Engenheiro Fox, uma das mais antigas da região, que mantém elementos de época, como as grandes janelas basculantes originais. A justificativa, segundo relatórios técnicos do Departamento de Patrimônio Histórico (DPH), é "falta de valor arquitetônico que justifique a preservação". 


Como tentativa de preservar uma parte da área baixa da Lapa, o Conpresp adiou a decisão sobre 11 imóveis, no eixo entre a ferrovia e o Rio Tietê, também enquadrados como Zepecs na revisão do Plano Diretor, em 2004. "Avaliamos que manter algumas casas, simples, mas que representam o cotidiano operário do bairro no início do século passado, é o suficiente para preservar as características fundamentais do bairro", disse Lefèvre. A próxima reunião, que deve definir o futuro dos imóveis restantes, ainda não tem data definida.

Osaka: tecnologia de monotrilho japonês deverá ser utilizada em São Paulo

Tecnologia servirá para o Expresso Tiradentes

Em sua passagem por Osaka, no quinto dia da missão oficial ao Japão, o prefeito Gilberto Kassab conheceu nesta sexta-feira (15) o monotrilho local e avaliou que a tecnologia do metrô leve da cidade possui as características que os técnicos buscam para a construção do trecho final do Expresso Tiradentes. No mês passado, o prefeito de São Paulo e o governador José Serra anunciaram que os 20 quilômetros finais do corredor que ligará o centro à Cidade Tiradentes, na Zona Leste, serão construídos utilizando esse modelo, em via elevada.

Depois de conhecer a experiência de Tóquio com o monotrilho, Kassab e o secretário de Transportes, Alexandre de Moraes, percorreram um trecho do metrô leve  de Osaka, que tem quase 25 quilômetros de extensão. Ambos  saíram convencidos de que esse modelo corresponde às características identificadas para o Expresso Tiradentes. "Esse tipo de transporte é realmente moderno, rápido, simples de ser construído. Acredito que ele será uma importante alternativa para o transporte público de São Paulo. Eu e o secretário Alexandre de Moraes estamos convencidos de que devemos investir nosso tempo na preparação dos nossos técnicos para que eles possam conhecer melhor esse modelo e, em parceria com o Metrô, procurar, o mais rápido possível, construir o Expresso Tiradentes, em sua etapa final, com essa tecnologia", declarou.

Para o secretário Alexandre de Moraes, a tecnologia utilizada no monotrilho de Osaka é mais próxima das necessidades de São Paulo e deve ser melhor avaliada pelos técnicos brasileiros. "Aqui em Osaka existe uma grande vantagem, porque utiliza uma tecnologia mais moderna, que se adequa bem a São Paulo, ao Expresso Tiradentes e ao que nós pretendemos para o sistema, que é transportar 35 mil pessoas por hora. Portanto, o monotrilho de Osaka é uma possibilidade muito boa para o transporte público de São Paulo", disse o secretário.

Os investimentos previstos para o trecho final do Expresso Tiradentes são de R$ 2,3 bilhões, sendo R$ 1 bilhão da Prefeitura e o restante do Governo Estadual. A expectativa é de que a linha esteja totalmente concluída até o final de 2012.

Crematório
Antes da visita ao monotrilho, o prefeito e a comitiva visitaram o crematório de Kita, o segundo maior da cidade, para conhecer a técnica utilizada nesse tipo de serviço. O Japão possui tradição na área e apenas em Osaka existem cinco crematórios, onde foram realizados, somente em 2008, quase 29 mil cremações. A cidade de São Paulo, que tem população quase cinco vezes maior que a de Osaka (e apenas um crematório), faz, em média, menos de 20 cremações por dia, o que corresponde a cerca de sete mil por ano.

"Nessa viagem ao Japão, estamos procurando conhecer a operação na maior parte dos serviços públicos, até porque o Japão é um país muito avançado, com tecnologia de ponta, e para nós é muito importante ver de perto o que se faz aqui. O serviço funerário é algo muito relevante e deve ser prestado de maneira eficiente, muito respeitosa. Por isso será muito importante para nós levarmos as informações aqui recebidas e aprimorar o serviço que prestamos em São Paulo", afirmou o prefeito.

Segundo o secretário Alexandre de Moraes, que acumula a secretaria de Serviços, o crematório paulistano está  praticamente no limite operacional e por isso necessita de um processo de modernização. "Estamos realizando uma revisão do planejamento para dotar São Paulo, que possui o maior crematório do país, de tecnologia avançada nesse serviço" revelou.

Cidades irmãs
O prefeito também participou hoje de cerimônia em comemoração aos 40 anos da assinatura do convênio de cidades irmãs entre São Paulo e Osaka. Na sede da Prefeitura local, Gilberto Kassab assinou com o prefeito da cidade japonesa, Kunio Hiramatsu, um termo de comprometimento em diversas áreas, especialmente ligadas ao meio ambiente, e inaugurou uma exposição de fotografias de São Paulo, instalada no edifício.

Após a cerimônia, a comitiva brasileira participou de uma reunião em que foram demonstradas algumas experiências da administração pública de Osaka, com destaque para o sistema de transportes e o tratamento da água. Em 2010, a cidade japonesa irá participar da Expo Shanghai (encontro na cidade chinesa com exposições sobre as políticas públicas mais bem sucedidas no mundo) com o tema "Metrópole da Água". São Paulo também deve participar do encontro apresentando o projeto Cidade Limpa.
Acompanharam o prefeito na agenda de hoje os secretários Alfredo Cotait Neto, de Relações Internacionais; Alexandre de Moraes, de Transportes e Serviços; Rodrigo Garcia, de Modernização, Gestão e Desburocratização e Marcelo Branco, de Infra-Estrutura Urbana e Obras.

Kassab visita em Tóquio sistema de monotrilho que será utilizado no Expresso Tiradentes






O prefeito Gilberto Kassab visitou nesta terça-feira (12), em Tóquio, o sistema de transporte público de monotrilho que cobre algumas regiões da capital japonesa e que será adotado nos 22 quilômetros que faltam para a conclusão do Expresso Tiradentes. No último dia 28 de abril, o prefeito e o governador José Serra anunciaram uma parceria entre o Governo do Estado e a Prefeitura para concluir as obras do corredor que ligará o Centro à Cidade Tiradentes, na Zona Leste, utilizando a tecnologia do Metrô Leve em via elevada.

Os investimentos previstos são de R$ 2,3 bilhões, sendo R$ 1 bilhão da Prefeitura e o restante do Governo Estadual. A expectativa é de que a linha esteja totalmente concluída até o final de 2012.

Além de percorrer um trecho do monotrilho [clique para assistir o vídeo], o prefeito assistiu a uma apresentação de técnicos japoneses sobre o sistema e visitou o Centro de Controle e o pátio de manutenção da Tokyo Monorail, empresa que administra a linha que liga o centro da cidade ao aeroporto de Haneda.

"Saio muito satisfeito dessa visita e tenho convicção de que estamos no caminho certo. A idéia é transferir, o mais rápido possível, os recursos para o Metrô, que vai realizar essa obra. Ela já está licitada e esperamos que o primeiro trecho, que vai ligar a Vila Prudente a São Mateus, passando pelo Parque São Lucas, possa estar concluído ainda no ano que vem. Quando o Expresso Tiradentes estiver pronto, o passageiro que hoje leva mais de três horas para percorrer esse trajeto poderá fazê-lo em pouco mais de 50 minutos", afirmou o prefeito. 

A experiência japonesa
O monotrilho japonês existe desde 1964 e transporta cerca de 280 mil passageiros por dia. Em São Paulo, a estimativa de demanda é de 350 mil pessoas por dia. "A passagem terá o mesmo valor que hoje é utilizado. A pessoa vai poder usar o Bilhete Único, que na gestão do prefeito Gilberto Kassab vale por três horas, com até quatro integrações. Por exemplo, quem pegar o ônibus do Expresso Tiradentes no Parque Dom Pedro, vai fazer uma baldeação na Vila Prudente e a partir daí utilizar a versão metrô leve, tudo pelo valor de uma passagem", completou o secretário dos Transportes, Alexandre de Moraes, que acompanhou o prefeito.

Também estiveram com o prefeito Gilberto Kassab na visita ao monotrilho japonês os secretários Alfredo Cotait Neto, de Relações Internacionais; Rodrigo Garcia, de Modernização, Gestão e Desburocratização; Marcelo Branco, de Infra-estrutura Urbana; o vereador Adolfo Quintas e o Deputado Federal Walter Ihoshi. 

Comunidade brasileira
Ainda nesta terça-feira, o prefeito Gilberto Kassab se encontrou com representantes da comunidade brasileira no Japão. Eles pediram ao prefeito apoio a algumas reivindicações dos brasileiros que vivem no país asiático. A comunidade brasileira foi muito afetada pela crise econômica internacional que atingiu o Japão e provocou grande desemprego, especialmente entre os imigrantes.

As principais preocupações da comunidade estão relacionadas à educação dos imigrantes brasileiros e também sobre as condições de emprego no Brasil, especialmente em São Paulo, já que a maioria deles nasceu na Capital paulista e muitos estão voltando em função da escassez de emprego no mercado japonês. Estima-se que cerca de 30 mil brasileiros já retornaram ao país desde o início da crise mundial e outro número parecido ainda deve deixar o Japão nos próximos meses para retornar ao Brasil.

O prefeito Gilberto Kassab afirmou que a Prefeitura de São Paulo vai trabalhar junto com o Governo Federal e com a embaixada do Brasil no Japão para acompanhar a situação dos brasileiros, especialmente aqueles com origem em São Paulo. Sobre a questão do emprego, o prefeito admitiu que a cidade também está sentindo os efeitos da crise, mas mostrou otimismo em relação à recuperação rápida do Brasil e em especial da economia de São Paulo.

Encontro com empresários
No final do dia, o prefeito Gilberto Kassab fez uma palestra a um grupo de empresários brasileiros que formam a missão oficial ao Japão e a empresários japoneses interessados em investir no Brasil, especialmente em São Paulo. O encontro aconteceu na embaixada do Brasil em Tóquio e, junto com o embaixador Luiz Augusto de Castro Neves, o prefeito falou sobre aspectos econômicos e de infra-estrutura da cidade. Os japoneses se mostraram especialmente interessados no setor de transporte público e na gestão de recursos ambientais.

O prefeito Gilberto Kassab visitou nesta terça-feira (12), em Tóquio, o sistema de transporte público de monotrilho que cobre algumas regiões da capital japonesa e que será adotado nos 22 quilômetros que faltam para a conclusão do Expresso Tiradentes. No último dia 28 de abril, o prefeito e o governador José Serra anunciaram uma parceria entre o Governo do Estado e a Prefeitura para concluir as obras do corredor que ligará o Centro à Cidade Tiradentes, na Zona Leste, utilizando a tecnologia do Metrô Leve em via elevada.

Os investimentos previstos são de R$ 2,3 bilhões, sendo R$ 1 bilhão da Prefeitura e o restante do Governo Estadual. A expectativa é de que a linha esteja totalmente concluída até o final de 2012.

Além de percorrer um trecho do monotrilho, o prefeito assistiu a uma apresentação de técnicos japoneses sobre o sistema e visitou o Centro de Controle e o pátio de manutenção da Tokyo Monorail, empresa que administra a linha que liga o centro da cidade ao aeroporto de Haneda.

"Saio muito satisfeito dessa visita e tenho convicção de que estamos no caminho certo. A idéia é transferir, o mais rápido possível, os recursos para o Metrô, que vai realizar essa obra. Ela já está licitada e esperamos que o primeiro trecho, que vai ligar a Vila Prudente a São Mateus, passando pelo Parque São Lucas, possa estar concluído ainda no ano que vem. Quando o Expresso Tiradentes estiver pronto, o passageiro que hoje leva mais de três horas para percorrer esse trajeto poderá fazê-lo em pouco mais de 50 minutos", afirmou o prefeito. 

A experiência japonesa
O monotrilho japonês existe desde 1964 e transporta cerca de 280 mil passageiros por dia. Em São Paulo, a estimativa de demanda é de 350 mil pessoas por dia. "A passagem terá o mesmo valor que hoje é utilizado. A pessoa vai poder usar o Bilhete Único, que na gestão do prefeito Gilberto Kassab vale por três horas, com até quatro integrações. Por exemplo, quem pegar o ônibus do Expresso Tiradentes no Parque Dom Pedro, vai fazer uma baldeação na Vila Prudente e a partir daí utilizar a versão metrô leve, tudo pelo valor de uma passagem", completou o secretário dos Transportes, Alexandre de Moraes, que acompanhou o prefeito.

Também estiveram com o prefeito Gilberto Kassab na visita ao monotrilho japonês os secretários Alfredo Cotait Neto, de Relações Internacionais; Rodrigo Garcia, de Modernização, Gestão e Desburocratização; Marcelo Branco, de Infra-estrutura Urbana; o vereador Adolfo Quintas e o Deputado Federal Walter Ihoshi.
 

Ibirapuera terá fiação elétrica aterrada até 2013

Até lá, Prefeitura deverá sanar dívida com Eletropaulo, em contrapartida; Faria Lima também esconderá fios


Naiana Oscar


http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090513/not_imp369964,0.php


A paisagem do Parque do Ibirapuera, na zona sul, vai mudar a partir do ano que vem. Os fios pendurados nos postes serão aterrados pela Eletropaulo. A empresa fez parceria com a Prefeitura para esconder os 5 quilômetros de rede aérea do parque e das ruas próximas. Ao todo, a negociação prevê o aterramento de 18 km de fios em outras regiões, entre elas a Avenida Faria Lima.


O projeto será feito em etapas até 2013, período em que a Prefeitura deve quitar a dívida de R$ 344,2 milhões com a Eletropaulo referente ao fornecimento de energia. O acordo estabelece o pagamento da dívida e o investimento de 50% do valor em obras para a cidade. A Eletropaulo se comprometeu a destinar R$ 172,1 milhões para redes, iluminação pública e projetos de eficiência energética em escolas. Desse total, R$ 86,9 milhões serão aplicados no aterramento de fios.


Depois de a Prefeitura pagar a primeira parcela, em junho, as obras começarão num prazo de 90 dias. Segundo o diretor de Operações da Eletropaulo, Roberto Di Nardo, o projeto mais avançado é o do Ibirapuera, que deve sair do papel no segundo semestre. "Ali não há tanta interferência no trânsito e não causa tanto transtorno à população." O da Faria Lima deve demorar justamente por causa da interferência no trânsito. A fiação subterrânea já existe em parte da Rua Oscar Freire, nos Jardins, desde 2006. Lá, aterrar cada metro custou em média R$ 5 mil. Di Nardo não soube dizer o custo das obras no parque, mas adiantou que a empresa deve gastar menos - o local não exige grandes interdições.


Para a conselheira do Conselho Gestor do Ibirapuera, Karol Anness, o aterramento dos cabos na região é o primeiro passo para tornar o parque uma área modelo. "O Ibirapuera é um ícone e tem de ser exemplo em tudo, inclusive na fiação subterrânea." Karol diz torcer para a Prefeitura aproveitar as obras e reforçar a iluminação do local.


A lei que obriga as concessionárias a "esconder" o cabeamento da cidade foi aprovada em 2006. O texto prevê que os custos, até sobre danos nas áreas públicas, sejam arcados pelas concessionárias. As empresas que operam ou usam cabos aéreos deveriam torná-los subterrâneos em uma extensão de até 250 km lineares de via por ano. "Mas as concessionárias alegam que o custo é muito alto", diz Luiz Pacheco, diretor do Departamento de Controle de Uso das Vias Públicas.

Trem do Pantanal começa a operar após 18 anos de inatividade

Fábio Brandt
Após 18 anos parado, Trem do Pantanal volta aos trilhos


O velho trem que atravessa o Pantanal está de volta. Após 18 anos parado, ele funcionou em 8 de maio com o presidente Lula a bordo. Porém, seu retorno definitivo ocorre no dia 16 de maio, quando as bilheterias se abrem ao público.

A partir desta data, o Pantanal Express partirá, todos os finais de semana, em uma viagem por algumas das mais belas paisagens brasileiras.

Todo o percurso do trem está dentro do Mato Grosso do Sul. São 220 quilômetros que ligam a capital Campo Grande a Miranda, no leste do Estado.

A primeira metade do trajeto é marcada pelo cerrado: grandes pastagens, com presença de rebanhos de gado e formações rochosas.

Chegando à estação do município de Aquiduana, o trem para por duas horas e meia e permite aos passageiros desfrutarem do local onde começa a transição para a mata verde de solo úmido. Passeios de barco e a cavalo são opções para preencher o intervalo da viagem.

De Aquiduana, a composição segue até Miranda, num trecho em que os passageiros podem observar, pelas janelas, algumas espécies típicas da região, como a arara-azul.

Serviço
Aos sábados, o trem parte de Campo Grande às 7h30 e chega a Miranda às 18h. No domingo, a viagem de volta começa às 8h30 e termina às 19h15.

Os sete vagões comportam 282 passageiros. Os preços variam de acordo com a acomodação e a extensão do trecho realizado. Para a viagem completa, de Campo Grande à Miranda, os bilhetes para adultos no vagão econômico custam R$ 39, no vagão turístico, R$ 61, e no vagão executivo, R$ 93.

Mais informações no site www.pantanalexpress.com
Especial para Terra

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Praça ecológica em Pinheiros terá sistema de drenagem que filtra água da chuva e retém impurezas

Alda caminha por obras da Praça das Corujas
http://www.prefeitura.sp.gov.br/videos/img/2009_05_11_pracacorujas1.jpg

A paisagista Elza Niero expõe o seu projeto à Alda
http://www.prefeitura.sp.gov.br/videos/img/2009_05_11_pracacorujas2.jpg
Praça será cortada por passeios de caminhada em piso intertravado
http://www.prefeitura.sp.gov.br/videos/img/2009_05_11_pracacorujas4.jpg



Prefeita em exercício vistoria futura "biovaleta", por onde escoará a água
http://www.prefeitura.sp.gov.br/videos/img/2009_05_11_pracacorujas3.jpg


A Cidade ganhará em breve uma praça diferente, que conjuga lazer com o cuidado ao meio ambiente. Trata-se da praça Dolores Ibarruri (também conhecida com praça das Corujas), em Pinheiros, que possuirá um sistema de drenagem das águas pluviais, facilitando sua absorção pelo terreno e lançando o excedente, já limpo, no córrego local.
A prefeita em exercício Alda Marco Antonio vistoriou a praça nesta segunda-feira e aprovou o conceito. "A praça deverá absorver quase toda a água que chover sobre ela e nas ruas próximas", declarou. "É um local que deverá ser visitado por todos os subprefeitos. Essa praça será um cartão de visitas dessa obra, que nós queremos replicar aonde for possível", afirmou. A obra é tocada pela Subprefeitura de Pinheiros.
A praça localiza-se em uma baixada. Quando a intervenção estiver concluída, a água da chuva será escoada por "biovaletas", de piso drenante. Assim, o fluxo será encaminhado para uma espécie de piscina de pequena profundidade (jardins de chuva) que, além de drenar para o subsolo a água coletada, joga o excedente já limpo para o córrego das Corujas.
Essas duas estruturas, biovaletas e jardins de chuva, serão integradas ao novo projeto paisagístico da praça. A inovação é fruto de um projeto executado na cidade de Seattle (EUA) e adaptado pela arquiteta e paisagista Elza Niero - o projeto obteve Menção Honrosa pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil em 2008.
Paralelamente ao novo sistema de drenagem, a Prefeitura está construindo o passeio de caminhada com piso intertravado, um campo de futebol e playground.

FOTOS
 O crédito das 4 fotos é de Luiz Guadagnoli/Secom.

Moradores da floresta amazônica mostrado no documentário Pele Verde

Pele Verde

Documentário Online mostra a vida dos moradores da Floresta Amazônica


http://www.ambientebrasil.com.br/blogab/?p=482


“A vida na floresta contada por quem vive nela”, esse é o slogan do Pele Verde, documentário dividido em 10 episódios dirigido pelo cineasta Jorge Bodanzky. O primeiro deles pode ser conferido abaixo:

Cada episódio, filmado pelos habitantes locais, conta a vida e a cultura de comunidades das unidades de conservação florestal no Amazonas. Catuá-Ipixuna, Mamirauá, Uatumã e Uacari, comunidades abordadas no documentário, são apenas algumas das reservas ambientais do Amazonas que tem o rio como único acesso.

O projeto, patrocinado pelo Bradesco, deu oportunidade às pessoas da região, que nunca estiveram em contato com câmeras ou tecnologia, contarem as suas próprias histórias. Nativos da Amazônia falam sobre os seus hábitos e como a consciência sobre sustentabilidade entrou em suas vidas.

Os outros episódios podem ser conferidos no site do próprio documentário.

Saiba quando é vantagem trocar aluguel por imóvel próprio

Fabiano Klostermann

Direto de São Paulo


http://invertia.terra.com.br/imoveis/interna/0,,OI3739946-EI11434,00-Saiba+quando+e+vantagem+trocar+aluguel+por+imovel+proprio.html


Trocar o pagamento do aluguel pela prestação de um imóvel próprio exige planejamento financeiro detalhado, pesquisa e assumir uma parcela de risco, apontam consultores. Além de contas para saber se é possível e vantajoso assumir a dívida pela compra de um imóvel, é preciso pesquisar oportunidades e levar em conta que, quem não pode pagar à vista, precisa ter uma reserva caso enfrente uma situação de desemprego em algum momento durante os anos do financiamento.

» Com 1 ano de poupança, imóvel sai 14% mais barato
» Confira como participar do novo plano habitacional do governo

Alcides Leite, professor de Economia da Trevisan Escola de Negócios, explica que um dos primeiros aspectos para trocar o aluguel pelo financiamento é verificar se o valor aluguel que é pago está na média do mercado. "(A média do aluguel) varia de 0,6% a 1% (do valor do imóvel) dependendo das condições do imóvel, ou dos acordos com o proprietário", diz. Abaixo desse valor, completa ele, é muito difícil encontrar uma prestação equivalente para compra de um bem próprio em um imóvel similar ao que a inquilino ocupa.

Outro aspecto a ser considerado, segundo Roberto Vertamatti, vice-presidente de Finanças da Associaçao Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), é não comprometer mais que a faixa entre 25% a 30% da renda mensal com a prestação do imóvel pretendido. Também é necessário considerar a segurança do próprio emprego, pois o financiamento imobiliário geralmente é longo.

"Na hora que ele financia uma casa própria é algo para 20 anos. Se ele compromete 25% a 30% e ele conseguir um financiamento que empate nesta situação, ele deve financiar. Algum risco ele tem que correr, senão ele nunca vai ter nada", aponta, ressaltando que o ideal é financiar o imóvel em 10 anos.

Valor para entrada
De acordo com o executivo da Anefac, o valor da entrada no financiamento vai ajudar a diminuir o peso da parcela no orçamento mensal e também a reduzir o tempo para o pagamento do imóvel. Segundo ele, o mínimo recomendado para dar de entrada no momento da compra é de 20% do valor do bem.

No entanto, o professor Alcides Leite destaca que o ideal é dar uma entrada de, pelo menos, 50%. "(Com essa entrada, o cliente) tem um valor de barganha maior, precisa menos de financiamento, consegue um custo um pouco mais baixo e o financiamento fica mais fácil de ser aprovado", explica.

Uma pesquisa extensiva para encontrar uma boa oportunidade também é fundamental na hora de decidir pela compra, destaca o professor da Trevisan.

Planeje
A maioria dos grandes bancos possui simuladores das opções de financiamento imobiliário. De posse de dados financeiros, o interessado pode obter o valor aproximado das parcelas que pagaria no empréstimo, inclusive alterando os prazos de pagamento e verificando os benefícios de dar uma entrada maior.

Utilizando o simulador da Caixa Econômica Federal, líder em financiamento habitacional no País, o Terra pegou como exemplo uma pessoa que ganhe R$ 3 mil mensais e pague R$ 700 de aluguel.

Para assumir um financiamento com parcela similiar ao aluguel, em um imóvel com valor total de R$ 100 mil, foi presumida uma entrada de R$ 30 mil. O restante seria financiado em 20 anos, com parcelas decrescentes partindo de R$ 789. O caso simulado é pelo Programa Minha Casa, Minha Vida, que tem isenção de seguro e juro anual de 8,47% mais TR (espécie de correção monetária).


"Mesmo se for um financiamento mais longo, se (a prestação) for no mesmo nível do valor do aluguel que você paga, mesmo assim vale", afirma o professor Alcides Leite.


Redação Terra


Arquitetos propõem túnel para ligar a Bolívia ao mar

Jude Webber

Em Buenos Aires


Naomi Mapstone

Em Lima


http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/fintimes/2009/05/15/ult579u2806.jhtm


Três arquitetos chilenos disseram ter chegado a uma solução para restaurar o reivindicado acesso da Bolívia ao Oceano Pacífico sem invadir território chileno - um túnel de 150 quilômetros correndo sob a fronteira Chile-Peru e terminando em uma ilha artificial, construída com a terra extraída das obras, a cerca de um quilômetro da costa.


A Bolívia, sem acesso ao mar, lamenta a perda de sua costa no Oceano Pacífico desde a guerra com o Chile há 130 anos, e a questão continua fortemente contestada até hoje. Além de bloquear as relações diplomáticas entre os dois países, ela atrapalha o desenvolvimento dos mercados do Pacífico para o gás natural da Bolívia e sua riqueza mineral. Mas os três arquitetos chilenos disseram que chegaram a uma forma de restaurar o acesso da Bolívia ao mar sem conflito com o Chile.


"A princípio achamos que era um tanto maluco, mas achamos que pode ser viável", disse um dos arquitetos, Humberto Eliash, ao "Financial Times". "Eu vejo isto como um sonho possível. Não é loucura."


Eliash começou a discutir a ideia com Fernando Castillo Velasco e Carlos Martner, dois dos mais respeitados arquitetos do Chile, há três anos. Mariano Fernández, o ministro das Relações Exteriores chileno, disse que deseja saber mais a respeito da proposta de "vanguarda" e convidou os homens para uma reunião, apesar da data ainda não ter sido marcada.


O túnel seria um dos mais longos do mundo, mas Eliash disse que seria tecnicamente menos exigente do que, digamos, o Túnel do Canal da Mancha, que liga a Inglaterra e a França, já que teria apenas um curto trecho submarino. Apesar do Chile e do Peru serem altamente sísmicos, ele disse que túneis foram construídos com sucesso no Japão, que é igualmente propenso a terremotos.


O principal problema é político. O Peru e o Chile, que estabeleceram sua fronteira terrestre em 1929, ainda disputam as fronteiras marítimas. O Peru, que lutou ao lado da Bolívia contra o Chile em 1879, está reivindicando um triângulo de 38 mil quilômetros quadrados de águas do Pacífico no Tribunal Internacional de Justiça, em Haia, deixando tensas as relações políticas com o Chile.


Segundo a proposta dos arquitetos, a ilha - que, assim como o túnel, seria território boliviano - ficaria na ponta do triângulo. As águas em disputa se tornariam internacionais, nenhum país perderia território, e muito tempo e dinheiro seriam economizados com o fim da disputa legal.


Apesar de ter perdido sua costa em 1879, a Bolívia mantém uma Marinha com cerca de 170 embarcações nas águas de altitude elevada do Lago Titicaca, e Eliash disse que a Bolívia poderia colocar um porto na ilha artificial. Ele acredita que o túnel poderia ser construído em uma década, no final transportando veículos de carga e passageiros, um trem e um gasoduto para o gás boliviano, abrindo rotas comerciais potencialmente lucrativas no Pacífico para um dos países mais pobres da América do Sul.


A Bolívia nunca perdeu a esperança de recuperar sua costa e não tem relações diplomáticas com o Chile por causa de suas exigências. "A Bolívia nunca renunciará o retorno soberano ao mar", disse o presidente Evo Morales, que insinuou que também poderá levar sua reivindicação a Haia caso o Chile não ceda.


A Bolívia ainda não reagiu à ideia do túnel, mas Manuel Rodríguez Cuadros, o ex-ministro das Relações Exteriores peruano e autor de um livro sobre a disputa, disse que a ideia, apesar de bem intencionada, é "bizarra" e um "absurdo legal".


Tradução: George El Khouri Andolfato

terça-feira, 12 de maio de 2009

Trem turístico argentino faz viagem de Salta até as nuvens

O Tren a las Nubes faz seu percurso pela Cordilheira dos Andes
Travis Johnson/Creative Commons/Reprodução
Gisele Lobato
Três vezes por semana, pouco depois das 7h, a estação de trens de Salta, no noroeste argentino, se transforma em uma pista de decolagem. Nada de aviões: é mesmo uma locomotiva que levanta vôo aqui para um tour pelas alturas dos Andes.

O Tren a las Nubes (Trem para as nuvens, em tradução literal) é uma linha turística que faz um percurso circular de aproximadamente 15 horas. Nos últimos anos, ela ficou interrompida durante alguns períodos, voltando à ativa em agosto de 2008 - embora o site da operadora aponte no momento uma paralisação para reparos devido a chuvas fortes.

Problemas a parte, quem embarca terá uma viagem inesquecível e cheia de adrenalina para contar depois. Para superar os acidentes geográficos do terreno, o ziguezague é permanente. No total, o trem passa por 29 pontes, 21 túneis, 13 viadutos e duas espirais.

Enquanto vai vencendo esses desafios que tiram o fôlego dos passageiros, duas coisas vão acontecendo lá fora. Primeiro, na paisagem, que vai se adaptando à mudança do clima subtropical para o semidesértico e o desértico. As montanhas áridas se pintam gradualmente em diversas cores, refletindo a diversidade mineral do solo.

A segunda alteração é a de altitude: Salta está 1.187 metros acima do nível do mar, mas o trajeto alcança os 4.220 metros, quando começa o percurso de volta. O ponto alto da viagem ocorre em um viaduto chamado La Polvorilla, no quilômetro 1.350 da ferrovia. Essa maravilha da engenharia se projeta sobre o abismo, com 224 metros de comprimento e 70 de altura, provocando assombro e encantamento em quem se atreve a viajar, literalmente, até as nuvens.

O funcionamento do trem deve ser retomado em maio. Saiba mais pelos sites:

Prédio da Academia Paulista de Letras é tombado


Secretaria de Cultura também vai liberar verba para reformar espaço


Vitor Hugo Brandalise


http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090508/not_imp367315,0.php


Num mesmo mês, duas boas notícias para as letras do Estado - mais especificamente, para a Academia Paulista de Letras (APL), instituição que completa seu centenário de fundação em novembro. Na segunda-feira, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado (Condephaat) aprovou o tombamento da sede da APL, no Largo do Arouche, com projeto do arquiteto francês Jacques Pilon. Para completar, a Secretaria Estadual da Cultura confirmou a assinatura, até o fim do mês, de um convênio com a Academia, que prevê liberação de cerca de R$ 3 milhões para recuperar parte da estrutura do prédio histórico - com prioridade para seu auditório, cujo forro do teto ruiu, por problemas de infiltração, em janeiro de 2007.


O convênio, segundo o chefe de gabinete da Secretaria de Estado da Cultura, Sergio Tiezzi, está em fase final de elaboração. "Os recursos já estão reservados para a APL. O convênio passa por uma última análise da assessoria jurídica da Secretaria e até o fim de maio teremos tudo acertado", disse Tiezzi.


Com os recursos do convênio, a APL vai restaurar o auditório - com criação de espaço de exposições interativo no piso superior do ambiente, separado por vidros -, adequar o subsolo do prédio e finalizar os projetos executivos para o restauro do restante do edifício. "É dever do Estado auxiliar instituições com notória importância cultural, como a APL, e que passa por dificuldades."


A Academia espera inaugurar os espaços, restaurados com recursos do Estado, até 27 de novembro, data em que completa 100 anos de fundação. "Essas novidades representam o início de uma nova fase para a Academia. Precisamos restaurar a sede, para poder abrir as portas para a comunidade, por meio de convênios com escolas e associações culturais. A ideia é mostrar todo o acervo raro que guardamos aqui", afirmou o atual presidente da APL, o juiz Renato Nalini.


O tombamento da sede da Academia, segundo Nalini, ajudará a instituição a conseguir apoio para o restauro do prédio inteiro - cujo projeto foi aprovado pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet. "Não conseguíamos arranjar parceiros porque o prédio não era tombado. Nesse caso, a lei prevê, em seu artigo 26, retorno em isenção fiscal de apenas 30% do valor investido. Com o tombamento, o projeto se encaixa no artigo 18, que prevê abatimento de 100% do valor patrocinado", explica Nalini. O restauro da fachada e a readequação do espaço interno, segunda fase da revitalização, deve demorar cerca de um ano, por cerca de R$ 2,5 milhões - entretanto, ainda não há patrocínio acertado.


Com o tombamento aprovado pelo Condephaat, a fachada do prédio e a estrutura interna do térreo e dos três primeiros pavimentos, ocupados pela APL, ficam protegidos e qualquer intervenção deve ser aprovada pelo conselho. O conselheiro relator do processo, o historiador Francisco Alambert Junior ainda solicitou que o acervo da Academia também seja tombado. Nos corredores da APL, há obras de arte - com tapeçarias, pinturas, bustos em bronze e mármore datados do século 18 -, mobiliário com mais de duzentos anos, que segue sem modificações desde a década de 1950, além da biblioteca da Academia, que reúne 80 mil volumes, entre edições raras datadas a partir do século 17.


O prédio foi construído entre 1948 e 1954, com projeto de Pilon - que também projetou a Biblioteca Mário de Andrade, entre cerca de 60 edifícios no centro da cidade -, num estilo que mesclava "o neoclássico e as linhas retas do modernismo, marca registrada de Pilon", segundo escreveram arquitetos do Condephaat.


Entre os imortais - presentes na tarde de ontem na sede da APL, para uma palestra da escritora Lygia Fagundes Telles, também membro da Academia -, o tombamento é o "reconhecimento do valor de um tesouro que a cidade guarda, mas que poucos conhecem", segundo o poeta Paulo Bomfim, decano da Academia. "Ninguém sabe que existe esse espaço, com clima de um passado perdido, num local privilegiado bem no centro de São Paulo. Reconhecer seu valor histórico é ajudar a revitalizar a área", disse o escritor Walcyr Carrasco, cadeira de número 14 da Academia.


Além de incluir a APL no roteiro de visitas de escolas públicas, a Academia pretende estabelecer agenda fixa para palestras dos escritores nas escolas e incentivar a criação de clubes de leitura entre os jovens."Nessa primeira fase, com inauguração do auditório e do espaço para exposições, vamos digitalizar parte do acervo, para criar jogos interativos que chamem a atenção do público jovem", afirma Rosana Delellis, diretora da empresa Formarte, responsável pelo projeto de restauro.


Hoje, a biblioteca da Academia já fica aberta a consulta do público, de segunda a sexta-feira, das 9 às 18 horas. Para falar com os acadêmicos, há reuniões todas as quintas-feiras, das 17 horas às 18 horas.

Avenida Paulista ganha guardiã da mobilidade - cadeirante fiscaliza as condições das calçadas


A cadeirante Julie Nakayama, de 22 anos, começou ontem a sua tarefa de fiscalizar as condições das calçadas de um dos símbolos de São Paulo


Edison Veiga


http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090512/not_imp369261,0.php


Os problemas podem passar despercebidos para quem não tem deficiência física ou dificuldade de locomoção. Mas são uma pedra no caminho daqueles que precisam cruzar a avenida com o auxílio de cadeira de rodas, muletas ou bengala. Bastaram 500 metros de caminhada, com a reportagem do Estado, para que a cadeirante Julie Nakayama, de 22 anos, encontrasse quatro falhas no calçamento. "As concessionárias quebram o piso para prestar seus serviços e depois remendam mal, deixando desníveis", diz ela, sobre o principal problema encontrado, consequência, em geral, de reparos feitos por companhias de fornecimento de água, de energia ou de gás.


Desde ontem, sua missão é relatar falhas assim - e também buracos, mesinhas de bares na calçada que atrapalhem a passagem, carros-forte estacionados que não deixam espaço para uma cadeira de rodas - à Gerência da Avenida Paulista, criada no ano passado. Para, desse modo, tentar melhorar a vida dos paulistanos que têm algum tipo de deficiência ou dificuldade de mobilidade e utilizam a avenida símbolo da cidade. "Passarei metade do dia aqui e metade na Câmara, em horários alternados", conta ela, que é contratada como assistente parlamentar da vereadora Mara Gabrilli (PSDB), também deficiente. "Ela vai contribuir com seu olhar, por vivenciar isso no dia a dia", diz a vereadora. "Se o trabalho der certo, podemos pensar em expandir para outros pontos da cidade."


Formada em Publicidade pela Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), Julie foi nadadora - entre os 9 e os 16 anos de idade disputou provas internacionais - e atua como bailarina e atriz. Integrante do Movimento Superação, participa anualmente da passeata que acontece na Paulista, sempre em 3 de dezembro, em referência ao Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. "Minha luta sempre foi pela independência da pessoa com deficiência", diz ela, que convive com a situação desde o nascimento.


Em seu primeiro dia de trabalho, ela utilizou um caderninho para anotar os problemas encontrados - e enfrentados - no percurso. Em breve, o trabalho será mais hi-tech. "Estamos querendo mandar as informações para a Gerência da Paulista via mensagem de texto de celular, para agilizar", conta. Em http://guardiadapaulista.ning.com, ela mantém um blog colaborativo - que permite a postagem de conteúdo de autoria de leitores previamente cadastrados - e pode ser seguida pelo serviço de microblogs Twitter (www.twitter.com/guardiapaulista). "A ideia é que todos possam me ajudar a fiscalizar a avenida", afirma Julie, nitidamente empolgada.


A princípio, o foco será voltado para a manutenção da acessibilidade das calçadas - que, após a reforma concluída no ano passado, se tornaram adaptadas a quem tem dificuldades de locomoção. Mas Julie não esconde qual é sua segunda meta: sensibilizar os comerciantes instalados na avenida para também tornarem seus estabelecimentos acessíveis aos deficientes. "Nós ganharemos com isso. E eles também, já que terão mais clientes", defende. "Os condomínios também precisam se adaptar."


Julie esquematizou sua rotina de modo a checar um trecho da avenida por dia. "Assim conseguirei ver tudo", explica, deixando claro que vai se deter em qualquer detalhe que encontrar. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), cuja sede fica em um ponto central da avenida, cedeu um espaço em seu prédio onde vai funcionar o QG de Julie. "Terei onde guardar minhas coisas e utilizar o banheiro", explica. "Também deixarei meu carro estacionado lá."


O gabinete da vereadora faz planos pensando no sucesso de Julie. Se tudo der certo, a guardiã deve virar gibi. Está em estudo a ideia de publicar os problemas da avenida em quadrinhos. E Julie, claro, seria a protagonista. Nada mal para quem tem uma ligação umbilical com a Paulista. Ela, que sempre morou na Vila Prudente, na zona leste de São Paulo, veio ao mundo em 1986 no Hospital Santa Catarina, no número 200 da avenida. 

Rio Tietê pode voltar a ser hidrovia



Governo estuda usar o rio em anel hidroviário para transportar cargas


Bárbara Souza



http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090511/not_imp368746,0.php


O Rio Tietê, para o qual a cidade só olha quando transborda ou seu cheiro está pior que o normal, pode ganhar mais um respiro entre as 67 propostas já feitas em mais de 100 anos - e se tornar navegável. A ideia do governo do Estado é criar um hidroanel metropolitano, aproveitando a conexão entre o Tietê e o Rio Pinheiros, que serão ligados às Represas Billings e Taiaçupeba, na região de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. O objetivo é levar, pela água, toda a carga transportada - ou parte dela - o mais próximo possível do Porto de Santos ou de pontos de distribuição que se integrariam a outros sistemas, como o Rodoanel e o Ferroanel.


Mais de uma área sentiria o impacto dessa nova forma de transportar carga - e talvez pessoas - na Região Metropolitana: enquanto o Tietê agoniza solitário em meio ao asfalto, 440 mil viagens são feitas diariamente pelas pistas da Marginal, contribuindo para o transporte de 1 bilhão de toneladas de carga por ano.


Tirar tantos caminhões das ruas, segundo o Estado, beneficiaria o meio ambiente, melhoraria o trânsito e, por que não, faria a cidade voltar os olhos para o Tietê. "Se a população perceber que o rio pode oferecer benefícios, com certeza a fiscalização será maior", diz o engenheiro Frederico Bussinger, diretor do Departamento Hidroviário (DH), da Secretaria Estadual de Transportes.


A ideia custaria R$ 2 bilhões e levaria ao menos 20 anos para ser concluída. "Não é um valor para assustar ninguém, essa obra traria muitos benefícios." Um terço da verba seria destinada apenas à construção de um canal de 25 quilômetros ligando as Represas Billings e Taiaçupeba.


Mas o tempo, diz Bussinger, não é empecilho para o início da exploração da navegabilidade do rio no trecho urbano - hoje, o Tietê já conta com 41 quilômetros entre a Barragem da Penha, na zona leste, e a de Edgar de Souza, em Santana de Parnaíba. Neste momento, além da conclusão do projeto executivo para a construção de uma eclusa na Barragem da Penha, o DH está identificando grupos que poderiam usar o rio como meio de transporte. Além de empresas de construção civil, a Sabesp é cotada para usar esse tipo de alternativa - a ideia é que o lodo das estações de tratamento seja transportado em barcaças pelo Tietê.


No Pinheiros, seria necessário rebaixar trechos da calha, como no Tietê. Na Billings, precisaria ser delimitado o percurso das embarcações. "Estamos só resgatando projetos que já foram feitos no passado." O engenheiro sabe que há muito chão pela frente para a obra deixar de ser apenas um sonho - e admite que é impossível realizá-la toda de uma vez. Mas diz que falta pouco para parte dela virar realidade.


No século 20, o engenheiro americano Asa White Kenney Billings já previa essa finalidade para o rio - a carga passaria pelo Tietê, cruzaria o Pinheiros e chegaria a um grande reservatório. Do alto da serra, ela desceria a Santos por um teleférico. Quase cem anos depois, nenhuma parte do sonho dele virou obra de engenharia. Apenas seu nome foi usado para batizar a represa por onde esse hidroanel poderá passar.


   

domingo, 10 de maio de 2009

Diarista que trabalha até 3 vezes na semana não tem direitos, entende TST

Empregados domésticos têm direitos trabalhistas diferenciados dos demais trabalhadores (Foto: Reprodução / TV Globo)


Tribunal analisou caso de diarista que trabalhou 18 anos na mesma casa.
Confira quais são os direitos dos empregados domésticos.

Do G1, em São Paulo

A sétima turma de ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST), instância máxima da Justiça do trabalho, entendeu que não há vínculo trabalhista no caso de diaristas que trabalham até três vezes por semana.

A decisão, publicada no "Diário da Justiça" na última segunda-feira (4), ocorreu em 22 de abril durante julgamento de um recurso proveniente do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região.

O tribunal regional entendeu que a diarista tinha direito a registro em carteira, INSS, férias e 13º salário, mas o TST reverteu a decisão.

O entendimento ocorreu no julgamento do processo de uma diarista do Paraná que teria trabalhado 18 anos na mesma casa, sendo que nos oito primeiros anos três vezes por semana e nos dez anos seguintes, duas vezes por semana.

Segundo a assessoria de imprensa do tribunal, cada caso é analisado separadamente, mas desde 2006 já havia o entendimento de que trabalho duas ou três vezes por semana não caracteriza vínculo trabalhista.

Ainda conforme a assessoria do tribunal, no ano passado, por exemplo, outra turma de ministros do TST entendeu que havia vínculo no caso de uma diarista que ficou mais de 20 anos na mesma casa.

"Dos textos legais em exame, percebe-se que o reconhecimento do vínculo empregatício do doméstico está condicionado à continuidade na prestação dos serviços, o que não se aplica quando o trabalho é realizado durante alguns dias da semana", afirmou o ministro relator do processo, Pedro Paulo Manus.

A assessoria de imprensa destaca que não há uma jurisprudência única sobre quantos dias de trabalho devem caracterizar uma diarista. A decisão não cria uma regra e não obriga instâncias inferiores a seguir o entendimento.

Direitos
Pela legislação, deve ser considerado empregado doméstico aquele que tem trabalho de "natureza contínua".

Enquanto que o doméstico tem uma remuneração mensal, de, pelo menos, um salário mínimo regional, o diarista deve receber o pagamento após o dia de trabalho.

Segundo o Ministério do Trabalho, os empregados domésticos têm direitos diferenciados dos demais empregados com carteira assinada. Confira abaixo.

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