sexta-feira, 6 de março de 2009

Amazônia não é mais capaz de frear aquecimento global

Folha de muda de árvore desnutrida na seca amazônica de 2005; contribuição para agravar o aquecimento global não será imediato (Foto: Peter Vitzthum)


EDUARDO GERAQUE
da Folha de S.Paulo

A dramática falta d'água no ambiente amazônico em 2005 não afetou apenas a vida dos moradores da região. Com a seca, a floresta, que normalmente absorve carbono, passou a emiti-lo no ambiente.

As sequelas deixadas pelo grande estiagem, segundo medições inéditas divulgadas hoje, vão durar por décadas. Com menos água, as árvores morreram mais. Cresceram menos. E a floresta passou a colaborar para a piora do aquecimento global. 

"A Amazônia, antes de 2005, absorvia 400 milhões de toneladas de carbono por ano. Durante o fenômeno [seca], não absorveu nada e passou a emitir 900 milhões de toneladas de carbono", diz Luiz Aragão, brasileiro pesquisador da Universidade de Oxford (Inglaterra).Os 400 milhões de toneladas de carbono que a floresta costuma sequestrar por ano, segundo Aragão, servem para empatar com todo o carbono que é lançado no ar por causa do desmatamento e das queimadas.

O número apresentado pelo pesquisador, um dos 66 dos autores de artigo científico publicado hoje na revista científica "Science", foi o primeiro extraído de dados concretos com medidas sistemáticas em toda a Amazônia. Estudos anteriores sobre a seca eram estimativas com imagens de satélite. O grupo de Aragão monitorou árvores em 136 parcelas --áreas de floresta-- de 100 m por 100 m, em várias regiões da Amazônia.

"Temos estudos, por exemplo, na Bolívia, no Peru, na Guiana e na Colômbia", disse o pesquisador, que trabalha na Floresta Nacional de Caxiuanã, no Pará, onde o Museu Goeldi, de Belém, mantém uma estação de pesquisa.

A contribuição da seca de 2005 na Amazônia para o agravamento do aquecimento global não será imediato, afirma Aragão. O carbono que passou a ser emitido pelo sistema não está ainda todo liberado na atmosfera, explica. Ele continua preso, por exemplo, em folhas ou galhos mortos.

"A seca acabou jogando mais combustível no sistema. A floresta, de uma forma geral, ficou mais vulnerável. Isso amplia o problema das queimadas, um dos fatores que vão contribuir para que o carbono excedente do sistema vá para o ar", afirma o pesquisador brasileiro. "Esse processo dura décadas." Outro estudo já publicado pelo mesmo grupo, segundo Aragão, havia mostrado que em determinadas regiões da floresta a seca de 2005 aumentou o número de queimadas em 33%.
'Esses resultados podem ser projetados para o futuro', diz o pesquisador.

Segundo ele, o círculo vicioso visto para os meses de seca da floresta em 2005 poderá ficar cada vez mais intenso nas próximas décadas. "Os modelos mostram que a floresta vai ficar mais seca em alguns locais. Claro que esse balanço desfavorável de carbono poderá ser mais frequente", disse.

O resultado disso é que enquanto a seca de 2005 é atribuída a um fenômeno natural -anomalias climáticas no Atlântico - , a culpa sobre as estiagens futuras provavelmente vai recair sobre a humanidade.

Os dados obtidos nas 136 áreas reais da floresta amazônica durante vários anos, diz o pesquisador brasileiro Luiz Aragão (Universidade de Oxford), não estão de acordo com a tese de que, mesmo com a drástica seca de 2005, a pior em 60 anos, a floresta amazônica verdejou. "Nossos dados não mostram a mesma coisa. A perda de biomassa ocorreu em grandes áreas", diz Aragão.

De acordo com o cientista, os dados apresentados antes sobre o verdejar da floresta, na mesma revista 'Science', foram obtidos apenas por meio de satélites.

"Talvez isso explique as diferenças dos resultados", afirma. A validação dos dados dos satélites muitas vezes não se confirma nas medições reais, diz Aragão. A tese do verdejar na seca poderia significar que o sistema antiestresse da floresta amazônica teria funcionado bem durante uma forte, mas curta, estiagem.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Vila Itororó, ontem e hoje, através das lentes de Douglas Nascimento

Blogger Blogger: Douglas Nascimento é o grande fotógrafo da cidade de São Paulo. Ele e Hélio Bertolucci Jr. foram os idealizadores do Movimento São Paulo Restaurada, que propõe alternativas para a cidade de São Paulo.

http://saopaulorestaurada.com.br/vilaitororo/ (vídeo imperdível)

Metrô vai desapropriar 114 imóveis na região do Itaim em São Paulo

ALENCAR IZIDORO

da Folha de S.Paulo


http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u528466.shtml

O governo do Estado decidiu desapropriar 114 imóveis de bairros nobres das zonas sul e oeste de São Paulo, equivalentes a quase dez campos oficiais de futebol, para a extensão da linha 5-lilás do metrô paulista.

Eles estão localizados no Campo Belo, Itaim Bibi e Santo Amaro. Totalizam 68,8 mil metros quadrados que serão esvaziados para construção de novo trecho do metrô entre a estação Largo Treze e Chácara Klabin.

O decreto do governador em exercício, Alberto Goldman (PSDB), que listou a nova região de "interesse público" a ser desapropriada "por via amigável ou judicial" foi publicado no sábado no "Diário Oficial".

O processo de desapropriação começará neste mês e os prazos para a saída de comerciantes e moradores vão depender dos acertos na Justiça.

O Metrô afirma que a "maioria" dos imóveis atingidos é comercial, mas não forneceu detalhes nem custos. Limitou-se a informar que serão 114.

A Folha esteve nas vias mencionadas pelo decreto --que delimita a área, mas não cita cada um dos imóveis atingidos-- e verificou que, nas imediações, há tanto alguns trechos estritamente residenciais, com casas e prédios de classes média e alta, como outros com características comerciais, incluindo lojas e supermercado.

Embora muitos já tivessem ouvido rumores, a notícia da desapropriação surpreendeu comerciantes e moradores.

Ontem, um advogado circulava por algumas vias com a publicação do "Diário Oficial" em mãos para oferecer seus serviços a alguns proprietários.

Num prédio residencial da rua Bartolomeu Feio, moradores temem que uma parte da área de lazer (onde há um campo de futebol) seja atingida.

A linha 5 do metrô, inaugurada em 2002, tem hoje 8,4 km e vai do Capão Redondo ao Largo Treze. A promessa do governo José Serra (PSDB) era fazer mais duas estações até 2010 --Adolfo Pinheiro e Campo Belo-- e outras nove até 2012.

As primeiras desapropriações por conta das obras foram definidas em abril, numa área inicial de 32 mil metros quadrados e 147 imóveis, principalmente para a construção da futura estação Adolfo Pinheiro.

A medida provocou protestos de comerciantes que seriam desalojados da galeria Borba Gato e que conseguiram reverter parte dos planos.

Antonio Cunha, presidente do Movibelo (movimento de moradores do Campo Belo), disse ontem estar "perplexo" pelo fato de ruas residenciais estarem na mira do metrô.

"O bairro vai ser destruído", disse, em referência à montagem de canteiro de obras, estação de energia elétrica e poço de ventilação da linha 5 onde, segundo ele, só existem casas.

colaborou Diego Padgurschi, do Agora

terça-feira, 3 de março de 2009

Movimento São Paulo Restaurada



Blogger Blogger: Foi criado um novo grupo de discussões onde o leitor pode encontrar uma área de debates sobre construções abandonadas, restauradas e alternativas para uma melhor qualidade de vida para a cidade de São Paulo. O mérito fica por conta de Douglas Nascimento, fotógrafo e Hélio Bertolucci Jr.


MOVIMENTO SÃO PAULO RESTAURADA

Ainda há tempo de resgatar a nossa história arquitetônica, dos monumentos, edifícios, palacetes, casas e casarões que nos cercam e que correm risco de desaparecerem.

Se você tem uma simples câmera digital pode fazer muito por São Paulo!

Caso no seu trajeto diário notar um casarão abandonado ou perceber que qualquer outra construção que lhe pareça ser histórica ou representativa, esteja correndo algum risco de ser demolida,fotografe-a. Acesse o nosso site e envie sua foto, a localização e denunciaremos a ocorrência publicando em nosso site. Sua denúncia poderá ser anônima! Um serviço de cidadania e respeito a memória dos paulistanos e do seu patrimônio histórico.

Acesse nossos sites:

São Paulo Restaurada

São Paulo Abandonada

Amazônia perdeu o equivalente a meia São Paulo em apeans três meses

Entre novembro de 2008 e janeiro de 2009, a Amazônia perdeu 754 km² de florestas, o equivalente a metade do município de São Paulo. As informações fazem parte do relatório do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) e foram divulgadas nesta terça-feira pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A devastação no período pode ter sido ainda maior, por causa da alta cobertura de nuvens na região, que dificultou a visualização dos satélites.

Na comparação com o mesmo trimestre (novembro a janeiro) do período anterior (2007/2008), no entanto, quando o Inpe registrou 2.527 km² de desmatamento, houve queda de 70,2%. O período, no entanto, havia sido atípico, o que levou inclusive ao desencadeamento da Operação Arco de Fogo, da Polícia Federal e do Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Normalmente, os números do Deter são divulgados mensalmente, mas, por causa do chamado "inverno amazônico", o Inpe preferiu reunir os dados em uma base trimestral "para assegurar melhor amostragem e melhor representatividade espacial das análises", de acordo com o relatório do instituto. Em novembro de 2008, o Deter registrou 355 km² de desmatamento; em dezembro, 177 km²; e em janeiro, 222 km².

No acumulado do trimestre, Mato Grosso manteve a liderança entre os Estados desmatadores, com 318,7 km² de floresta derrubados (42% do total registrado). O Pará aparece em seguida, com 272 km² (36%), seguido pelo Maranhão, onde 88,4 km² foram desmatados (11%). Rondônia, que sempre aparece entre os estados que mais desmatam, derrubou 58,12 km² de floresta, 7% do total verificado no período.

De acordo com o Inpe, em Mato Grosso e no Pará a cobertura de nuvens no período foi menor, o que possibilitou monitoramento mais qualificado que em outros Estados. A cobertura de nuvens na região chegou a impedir a visualização de 86% da Amazônia Legal no período. "Alguns Estados como Acre, Amazonas, Amapá e Roraima praticamente não foram monitorados devido à alta proporção de cobertura de nuvens no período. Dessa forma, os resultados obtidos nessa avaliação são mais representativos para os estados de Mato Grosso e Pará", aponta o relatório.

O Deter mapeia corte raso (derrubada total) e áreas em processo de desmatamento, a chamada degradação progressiva. O sistema serve de alerta para as ações de fiscalização e controle dos órgãos ambientais.

Agência Brasil


03 de março de 2009


http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3610045-EI306,00-Em+meses+Amazonia+perdeu+o+equivalente+a+meia+Sao+Paulo.html


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