Sábado, 10 de Maio de 2008

Calçadas revelam os contrastes de São Paulo

Bancários registram 2 mil imagens em 300 horas de caminhada


Diego Zanchetta


http://www.estado.com.br/editorias/2008/05/10/cid-1.93.3.20080510.4.1.xml


Do velho mosaico português da Avenida Paulista ao concreto irregular e esburacado nos fundos do Jaçanã, um trabalho fotográfico inédito sobre as calçadas de São Paulo começou a ser desenvolvido há três meses por dois jovens bancários da Rua 15 de Novembro. Contrastes sociais da principal metrópole da América Larina já estão registrados em 2 mil imagens captadas pelas lentes dos fotógrafos amadores, em mais de 300 horas de caminhadas pelas ruas da capital. A meta é concluir o estudo com 8 mil fotos, até o início de 2009.


“A calçada muda a cara de um local e a falta de padronização nos pisos contribui para tornar São Paulo uma cidade de visual desigual a cada bairro. Quando você compara as calçadas da Vila Madalena com as do Tucuruvi, na zona norte, parecem imagens de dois países diferentes. Esse acervo tem a intenção de mostrar as desigualdades da capital pelos seus diferentes pisos”, afirma Ronaldo Pereira da Silva Júnior, de 26 anos, um engravatado típico do centro financeiro da capital paulista.


Nos fins de semana, Silva Jr. abandona o terno e as planilhas de balanço financeiro e, ao lado do também bancário Anderson Patric Joaquim, de 30 anos, tenta revelar a “alma” do Município por meio de suas calçadas. “A acessibilidade ao deficiente, por exemplo, é algo muito restrito ainda a ruas como Oscar Freire. A capital continua sendo uma cidade impossível para a circulação do cadeirante fora do eixo Avenida Paulista-Vila Mariana. Nenhum deficiente consegue se mover na periferia.”


As armadilhas que costumam resultar em acidentes com pedestres idosos, como desníveis em guias e poças d’água, e os pisos preferidos dos moradores de rua, como os da região da Sé, no centro, também já constam no trabalho dos bancários. O Estado teve acesso à parte das fotos, que devem ser publicadas em um site neste mês. “Quem acha que as calçadas do centro são as melhores está enganado. Na 15 de Novembro, por exemplo, tem um tipo de ladrilho que se torna muito escorregadio em dias de chuva”, alerta Silva Jr., que deixou o antigo sonho de ser ator para estudar gestão financeira. “Nós passamos a fotografar por hobby o centro velho, sem nenhuma pretensão. Depois, começamos a observar que o trabalho tinha um lado artístico e também sociológico”, acrescenta Joaquim.


A dupla montou um banco de imagens do centro e da zona norte. Agora, quer chegar a bairros nos extremos das zonas leste e sul. “Por enquanto, estamos montando um trabalho de interesse público no geral”, completou Silva Jr..


CONSERVAÇÃO


Como lembram os dois bancários, os donos de imóveis são os responsáveis pela manutenção das calçadas. Desde o início de 2005, a Prefeitura adotou um projeto de padronização em prédios públicos, praças e principais avenidas, aplicando predominantemente o pavimento de blocos intertravados, nas cores cinza, cinza escura e vermelha. Também são utilizados os pavimentos de ladrilho hidráulico, concreto moldado no local e placas pré-moldadas. Entre janeiro de 2005 e dezembro de 2007, foram reformados 275 quilômetros de calçadas.


Atualmente, a Avenida Paulista e a Rua Domingos de Morais passam por reformas para ficarem mais acessíveis aos deficientes. Na Paulista, 5 mil metros quadrados do atual piso de mosaico português serão trocados pelas placas de concreto moldado in loco, conforme projeto já em execução nas calçadas desde julho de 2007.


 

1 comentários:

Ronaldo Junior disse...

Agradeço pela referência ao nosso projeto.

Ass:
Ronaldo e Patric.