domingo, 29 de novembro de 2009

Profissões antigas resistem ao tempo em São Paulo

Feiras ainda têm bancas para amolar facas e consertar panelas



  • Amolador de facas percorre ruas com o mesmo carrinho desde 1970

  • A cidade de São Paulo, que costuma ser uma referência de modernidade no país, esconde traços que podem surpreender. Em meio aos grandes centros financeiros e de compras que fazem surgir novas profissões a cada dia, a metrópole abriga trabalhadores que exercem atividades cada vez mais raras, mas que ainda resistem ao tempo.


Quem passa pelas feiras da cidade não terá dificuldade em encontrar um consertador de panela ou um amolador de facas. Para Manoel Antônio Pedroso, de 69 anos, que conserta panelas e fogões há 50 anos, a profissão está longe de acabar. “Não falta serviço. O principal que está faltando é qualificação. Está acabando sapateiro, artesão de panela, porque os cursos são todos particulares e custam mais de R$ 300 por mês”, diz.

Os clientes são tantos que Pedroso, mais conhecido como seu Manoel, trabalha de terça a domingo em feiras da cidade e ainda atende em domicílio às segundas-feiras. De acordo com ele, a profissão é cansativa, mas “dá para ganhar o pão”.


Segundo seu Manoel, o serviço exige qualificação e dedicação, mas é bastante recompensador. “Para você ter noção, os fregueses chamam a gente pelo nome. Já nem é cliente, é amigo. As panelas já não são só panelas, eles lembram da mãe, do avô. A panela tem valor sentimental”, diz orgulhoso.


Herança

Quem conserta panela ou fogões com seu Manoel não precisa se preocupar com o possível fim da profissão. Seu filho Marcelo Antônio Pedroso herdou o ofício. “Ele pegou amor pela profissão e gostou, porque você conhece pessoas, vai em restaurante, cada dia um lugar diferente. Isso é uma coisa que preenche a pessoa, cativa”, explica, acrescentando que pretende ensinar o ofício ao neto também. “É uma coisa que eu vou ensinar e vou fazer questão de pagar curso, independente de que carreira ele irá seguir.”

Já Geraldo Aparecido Borgo, alfaiate de 59 anos, diz não ter tido a mesma sorte. Dos cinco filhos que teve e criou com os rendimentos de sua alfaiataria em Santa Cecília, no Centro de São Paulo, nenhum seguiu a profissão do pai. Para ele, a profissão perdeu muito mercado, mas não vai acabar. “A clientela diminuiu, mas agora está voltando. O pessoal que estava comprando roupa pronta voltou a fazer sob medida.”, diz, explicando que as roupas compradas em lojas não podem substituir totalmente as feitas à mão pelo diferencial da qualidade.


Mudanças

Borgo, que é alfaiate há 47 anos, reconhece que muita coisa mudou em sua profissão neste período. “Mudaram os tecidos, a moda... Quando comecei, a máquina era manual, hoje é industrial. As peças eram chuleadas [acabamento dado nas bordas do tecido] à mão, hoje tem overlock para fazer isso.” Para ele, porém, o trabalho em si é o mesmo a as técnicas não mudaram. Por isso, ele ainda mantém alguns hábitos antigos. “Para algumas roupas como terno e terninhos, tiro as medidas e anoto à mão e não no computador.”

Para Annibale Giancola, a profissão não se transformou nada ao longo dos 53 anos em que trabalha como amolador de facas. O italiano de 73 anos, que veio para São Paulo ainda jovem, percorre as ruas dos bairros da Lapa, Pompeia e Perdizes diariamente com seu carrinho com apito para chamar os clientes.

Giancola aprendeu a profissão com os tios e os irmãos que o receberam quando ele chegou ao Brasil. Como não tinham estudado e mal sabiam falar português, ele e seus parentes encontraram no ofício uma forma de sobrevivência. “Meu tio inventou este carrinho para amolar as facas e depois fez um para mim. Cada um pegava um bonde e ia para um canto da cidade”, conta.

O carrinho que Giancola usa é o mesmo desde 1970 e os clientes já estão acostumados a ouvir o seu apito pelas ruas. O mecânico Gerson Tadeu Nhoncanse, um de seus clientes, conta que não sabe com quem irá amolar suas ferramentas quando Giancola se aposentar. No caso do amolador, as filhas não herdaram a profissão, mas pela disposição que ele mostra ao percorrer as ruas da cidade entre 7h e meio dia, de segunda a sexta-feira, ele não deverá parar tão cedo.

Restauração de casa colonial em Bragança Paulista




Leitores do ‘Casa&’ contam como revitalizaram construção em Bragança sem a ajuda de arquitetos


Construções brasileiras antigas sempre fascinaram o francês Claude Armand. Estudioso do assunto por hobby, ele levou 14 anos para revitalizar a sede de uma antiga fazenda de café, em Bragança Paulista, e torná-la a casa de campo de seus sonhos.


http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,casa-colonial-vira-morada-de-sonhadores-apos-restauro,473020,0.htm


SÃO PAULO - Construções brasileiras antigas sempre fascinaram o francês Claude Armand. Estudioso do assunto por hobby, ele levou 14 anos para revitalizar a sede de uma antiga fazenda de café, em Bragança Paulista, e torná-la a casa de campo de seus sonhos. Não chamou arquiteto. Na empreitada, iniciada em 1993 e encerrada em 2007, só trabalharam ele, a mulher, Lívia, um pedreiro/marceneiro e um ajudante.



O desafio de reconstruir o que parecia não valer nada levou o casal a querer compartilhar o prazer de ter a casa feita quase passo a passo. Assinante há anos do Estado, eles resolveram responder ao chamado do Casa& e enviar fotos da morada. “Vimos a reportagem sobre o Palacete Rosa, no Ipiranga, que foi todo restaurado, e tivemos a ideia de mostrar às pessoas a nossa realidade e também que é possível revitalizar um imóvel por quem ninguém dava nada”, explica Claude Armand.



O casal tem um apartamento em Pinheiros por força do trabalho de Lívia, corretora de seguros autônoma. Mas é sagrado: toda sexta-feira, chova ou faça sol, eles vão para a casa de Bragança e lá ficam até a tarde de segunda-feira. “Eu já tinha uma pequena chácara aqui, que comprei em 1976. Como fiz amigos e gosto da cidade, quis algo maior. Então, um corretor me mostrou essa maravilha de lugar, mas avisou que só valia mesmo o terreno, porque a casa era para ser demolida. Não concordei”, conta Claude, aposentado do setor de seguros e natural de Biarritz – celebrizada como praia dos reis – na fronteira com o País Basco.



De cara, ele e Lívia se encantaram com a paisagem. Do platô onde está construção, é possível ver as colinas suaves que circundam o terreno de 70 mil m² e, mais embaixo, o Rio Jaguari, que demarca a propriedade e funciona como proteção natural. Os pés de café, riqueza da família italiana que ergueu o imóvel em 1890, hoje estão espalhados na mata do entorno. O casal e o caseiro só cuidam mesmo das árvores frutíferas e dos jardins mais próximos.



Claude Armand conta que, quando começou a obra, a casa estava lamentavelmente descaracterizada. “Ao longo dos anos, os muitos proprietários não se preocuparam em preservar o original. Deu para salvar a estrutura do telhado – de peroba rosa – e alguns trechos do piso original. O resto, refizemos.”



Reconstrução


Consultando livros sobre construções coloniais brasileiras, eles foram refazendo a casa, aos poucos. Acharam no porão um pedaço de gradil, que serviu de modelo para que um serralheiro refizesse todo o guarda-corpo das varandas e terraços. E velhos pedaços de treliça ganharam recorte e pintura e foram parar no frontão. A casa ainda ganhou escadinhas laterais na entrada, no lugar de degraus em meia-lua feitos por algum dos antigos donos; janelões com parapeito no lugar de acanhados e feios vitrôs; portas altas e, lógico, pintura azul e branco, marca do colonial brasileiro. Claude demoliu paredes para criar uma sala de jogos e um bar (o móvel, de mogno maciço, veio de uma casa antiga do bairro do Paraíso) e aumentar o tamanho do seu quarto. Ainda assim, a casa de 640 m² conta com seis suítes, ocupadas quando todos os filhos estão reunidos.



Frequentadores assíduos de feiras de antiguidades, aqui e no exterior, e das lojas e antiquários de Embu das Artes, Claude e Lívia foram decorando o local com móveis e objetos que tentam reconstruir a atmosfera da época. Pendurados nas paredes, um velho telefone de manivela e um sacarrolhas enorme, além de quadros, alguns do avô e do pai de Claude. Há também croquis e uma tela da casa feitos pelas filhas do casal. O antigo dono deixou um bufê e uma mesa de imbuia, que Lívia, ela mesma, restaurou.



E se os excessos fazem parte do gosto da dupla, há tesouros, como o fogão de ferro a lenha trazido de Camanducaia, o armário de farmácia, um bufê francês da Normandia, uma salamandra (que Claude transformou em aquecedor a gás) e o espelho antigo de lavabo, de folhas que se fecham. Ah, e a coleção de talhas, iniciada há 22 anos, em prateleiras altas em torno das paredes da sala de jantar.



Há de todos os tipos. De um magnífico exemplar de argila com o brasão da República a um modelo da Companhia das Índias ao lado de peças portuguesas, mexicanas, espanholas, indígenas e uma que pertenceu a um bandeirante, datada de 1850. São de barro, porcelana, cerâmica, vidro e pedra-sabão. Além das talhas, o casal tem dois filtros do século 19 nos corredores externos da casa.


Um ninho


Lívia iniciou há alguns anos outra coleção, de garrafas verdes, mas anda meio desanimada. “Consegui juntar alguma coisa interessante, mas não estou podendo ir atrás de exemplares que realmente valham a pena. A casa aqui me toma muito tempo”, diz ela, ora preocupada em manter viçosas as flores dos vasos pendurados na entrada, ora com a torta que deixou no forno, ora em salvar um ninho de beija-flor que encontrou no pátio.



Unidos nas pequenas coisas, Claude ajuda a mulher a preparar uma solução de água com açúcar para dar aos filhotes de beija-flor e a pôr a mesa para o lanche. “Amamos tudo isso. Para nós, a felicidade está nas pequenas coisas. Hoje ainda gosto de estudar o colonial brasileiro, que foi uma época de ouro. Vamos muito a Ouro Preto e a Paraty para sentir a atmosfera e também fazer compras para a nossa casa, onde pretendemos viver definitivamente muito em breve”, revela Claude.


O fim do ''velho'' Largo da Batata





Com obras da Prefeitura e a valorização imobiliária, comerciantes que fizeram a história do bairro saem de cena


Rodrigo Brancatelli


http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091129/not_imp473667,0.php


São 15 horas e alguns poucos minutos de uma terça-feira nublada e a vida no Largo da Batata, que sempre andou um bocado apressada, parece marchar em câmera lenta. Ali no coração de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, o farmacêutico Leonardo Shima permanece impávido, atrás do balcão que existe desde 1955, esperando a clientela aparecer. Ele mantém o sorriso generoso no rosto, mesmo ao lembrar que uma megadrogaria abriu há poucas semanas na vizinhança - e parece que ela está cheia de gente comprando xampus, creme dental, barras de cereais, chicletes, suplementos alimentares e, pasmem, até remédios.


Seu Chico, um experiente marceneiro que já trabalhou até na França, também está sem muito serviço e mata o tempo vendo um filme do Stallone na televisão. Já Jesus Andrade, conhecido como Jesus Alfaiate, aproveita para consertar a inseparável máquina de costurar enquanto nenhuma "madame apressada" ou "empresário precisando fazer a barra da calça" aparece de repente pela porta. Ninguém surge pelos próximos 15 minutos, mas ele continua lá, esperançoso. Esse mesmo otimismo, no entanto, anda meio sumido da sorveteria Fiesta, há quase 30 anos vendendo o melhor sorvete de amora, milho-verde e de amendoim do Largo da Batata - apenas R$ 0,90 o picolé. As mesas de fórmica estão vazias, silenciosas, tristes. Parece até que a região está ficando um pouco menos doce.


As obras de revitalização e adequação do Largo da Batata, que devem transformar a área numa esplanada até o fim de 2010, ao custo de R$ 100 milhões, não estão mudando apenas as ruas do local. Estão também alterando a vida de personagens que fizeram a história do bairro, que ergueram do zero os negócios familiares há décadas, mas agora planejam ou até mesmo começam a deixar seus endereços por causa da valorização imobiliária. São sapateiros, marceneiros, vendedores de miudezas e alfaiates; comércios populares que não terão vez nesse "novo" e "rico" Largo da Batata.


"CAIU MUITO, NÉ?"


"O movimento caiu muito, né", diz Massao Miyashita, comerciante mais antigo do Largo da Batata, que começou vendendo artigos de armarinho, em 1949. Sua loja deve ganhar em breve uma placa de vende-se ou aluga-se. "Eu tentei continuar aqui porque gosto muito da área. Mas eu estou ficando velho, acho que está chegando a hora da aposentadoria."


Muitos moradores mais antigos e comerciantes já deixaram a região, e os que resistem parecem viver num misto de expectativa e receio. "Não é nada agradável ficar assim, sem saber como vai ser o futuro", diz Cleusa Polimeno, que cuida de uma tabacaria fundada pelo avô, em 1943. O largo que há tempos não tem mais batatas agora também está perdendo parte da personalidade: ao mesmo tempo em que a degradação desapareceu, estão sumindo a olhos vistos hábitos e práticas antigas. São profissões e ofícios que resistiram ao tempo, mas não à falta de clientes. "Simplesmente não sei fazer outra coisa a não ser consertar sapatos", resume Pedro Halgsik, de 75 anos, que trabalha há quase três décadas na região.


A construção do Natal nas alturas: árvore de 75 metros de altura no Ibirapuera, em São Paulo

Cerca de 30 trabalhadores se empenham em montar a árvore de 75 metros de altura no Ibirapuera, em São Paulo


Filipe Vilicic


http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091129/not_imp473674,0.php


O pernambucano Ivanildo Araujo, de 65 anos, sente-se melhor pendurado a 70 metros de altura do que caminhando no chão. "Lá é fresquinho, tem uma baita vista e dá para descansar mais do que aqui embaixo", afirma, olhando, do gramado, para o topo da estrutura da árvore de Natal do Ibirapuera, que até o dia 6 de janeiro ocupará a Praça Escoteiro Aldo Chioratto, na frente do portão de número 10 do parque. "É bom sentar no andaime, relaxar, curtir o vento e olhar as árvores, as pessoas e o lago lá embaixo."


Ivanildo aproveita a vista há cinco anos, desde que foi contratado pela primeira vez como encarregado geral da obra da árvore do Ibirapuera. Neste ano, ele, o mais velho dos operários envolvidos na empreitada, lidera 12 dos 30 trabalhadores da construção - uma estrutura de andaime de 75 metros de altura (um prédio de 25 andares), 35 metros de diâmetro e 240 toneladas. Sua turma é especializada em instalar lâmpadas e objetos pendurados a vários metros do solo.


Mas Ivanildo nem sempre teve prazer em pular de um cano de ferro para o outro tão longe do chão. Ele confessa que quando começou na profissão como ajudante, há 45 anos, tinha pavor de subir em pontes, prédios, vigas. "A primeira vez que escalei uma altura considerável, uns 15 metros durante a construção do Mercado Municipal de Pirituba, no início da década de 1970, queria pular de lá de tanto medo", lembra. "O andaime balançava e eu ficava me equilibrando, sem a mínima segurança. Porque você sabe, né? Naquela época, não tinhas capacete, bota, corda." Os operários, como Ivanildo, davam uma de alpinistas em esqueletos de edifícios sem nenhuma proteção. "Era com a roupa do corpo, mesmo", recorda.


Após quatro décadas de carreira, o medo virou paixão. "Hoje, gosto de andar lá no topo", conta o operário sexagenário. "Uma vez, subi a mais de 130 metros de altura, sem usar acessórios, em um viaduto da Rodovia dos Imigrantes." A rapidez e a facilidade com que ele passa de um andaime para o outro da árvore de Natal, erguendo-se com as mãos sem titubear, revela sua experiência. "Quando os garotos chegam e me olham sei que pensam: "esse aí não tem mais idade para trabalhar"", afirma. "Mas a verdade é que os rapazes não têm coragem de fazer o que faço." Ivanildo é conhecido por desafiar os mais jovens em corridas pelos estrados metálicos da árvore do Ibirapuera. Os boatos dizem que ele nunca perdeu um desses desafios.


RISCOS


Apesar de tanta habilidade, Ivanildo sabe que não pode vacilar lá em cima. "Uma vez, durante uma montagem dentro de uma represa, vi um experiente colega cair de 52 metros de altura", conta. "Ele morreu na hora." Na época, sua mulher, com quem vive há 40 anos, não queria que ele voltasse para o serviço. "Fiquei afastado uma semana para me recuperar do trauma, mas retornei. Afinal, é nisso que sou bom." Sua mulher não só teve de se acostumar com o perigoso serviço do marido, mas também com seus quatro filhos homens se erguendo nas alturas. O quarteto seguiu os passos do pai: todos são empreiteiros especializados em levantar prédios, pontes, viadutos (três deles trabalham na árvore de Natal). "Acompanho meu pai nas obras desde meus 16 anos", conta Edivaldo, hoje com 36, enquanto anda em uma plataforma de madeira a mais de 40 metros de altura. "Ele falava que nos levava para aprender a trabalhar. É um chefe duro e exigente até hoje."


Nem todos, porém, têm a mesma desenvoltura de Ivanildo para se pendurar nas alturas. "Eu ainda não passei de 7 metros", confessa o paulistano Renato Morais, ex-frentista que estreia nesse tipo de trabalho na montagem deste ano da árvore. "Minha mãe morreu do coração quando soube que vinha para cá. Esses caras que ficam lá em cima são loucos." O alagoano José Lima é outro que não gosta do emprego. "Aqui é alto, perigoso e às vezes dá até tontura", conta, enquanto olha da janela do elevador que leva os funcionários para o topo da árvore. "Mas é o único jeito que achei para sustentar a família."


Há, porém, raros trabalhadores que curtem a sensação de perigo. O baiano Anderson Bispo, que trabalha pelo segundo ano consecutivo no Ibirapuera, adora se equilibrar entre os galhos artificiais da árvore. "Sou viciado em adrenalina", afirma, com cara de orgulho. "Na Bahia, nadava em mar aberto durante horas." Apesar de gostar de dar uma de alpinista, Bispo sonha em abandonar o trabalho. "Quero juntar dinheiro para comprar uma casinha em Salvador. Aí, alugarei a que tenho em São Paulo e voltarei para minha terra. Tenho muita saudade de meus amigos, de minha família e do clima de lá."


A saudade é comum entre os operários. "O dia a dia em Maceió era menos estressante", lembra o alagoano Lima. "Sinto falta do meu pessoal e até da comida", diz o baiano Heleomilto Silva. "Um dia, vou me aposentar e voltar para a Bahia." As reclamações são frequentes entre os trabalhadores, cujas histórias normalmente seguem a mesma linha: vieram para a capital paulista para ganhar dinheiro, mas sentem saudade de suas cidades e um dia pretendem voltar.


LANÇAMENTO


A árvore de Natal será lançada no domingo que vem, dia 6 de dezembro, após 57 dias de montagem, e começará a ser retirada do Ibirapuera um mês depois. Mais de 1 milhão de lâmpadas e 20 mil metros de mangueiras de luzes vermelhas e brancas a iluminam. Quase 150 figuras de metal, como bolas, estrelas e pinheiros, a decoram. Um Papai Noel de 3,5 metros de altura com roupa de alpinista será colocado em uma das laterais. É a oitava vez que a árvore, cuja construção é bancada pelo Banco Santander, é montada na Praça Chioratto. "É o trabalho que mais me deixou orgulhoso em minha vida", diz, emocionado, o encarregado geral Ivanildo. "É um serviço bonito e quando ela está pronta gosto de mostrá-la para meus 13 netos e falo "ajudei a levantar essa árvore imensa"."

Obras na Avenida Brigadeiro Faria Lima: estação pode impulsionar comércio e valorizar prédios comerciais O entorno das novas estações de Metrô também


O entorno das novas estações de Metrô também podem beneficiar edifícios comerciais, quando terrenos nas regiões centrais ficam cada vez mais caros.

Luiz Pompéia, diretor da Embraesp, diz que a principal valorização de uma nova estação de Metrô acontece no comércio. Ela cria um novo fluxo de pessoas na região, para a boca da estação. Nos 100 metros mais próximos dessa entrada, as lojas podem até triplicar de valor. Mas isso vai depender da atividade do comércio, que pode acelerar essa valorização.?

Mas a valorização também se estende a edifícios comerciais. Apesar de saturada, Cyro Naufel, diretor de atendimento da Lopes, vê potencial de valorização na região da Avenida Brigadeiro Faria Lima e Pinheiros, nas regiões das novas estações.

?Em Pinheiros, entre o Largo da Batata até a Marginal, é onde se encontra o maior potencial para crescimento do segmento no bairro. A região está hoje menos saturada do que ruas como Capote Valente e Alves Guimarães?, explica.

A Lopes lançou em dezembro o Neo Office, prédio com 140 sala comerciais na Rua Paes Leme, em Pinheiros e que está 95% vendido. ?Vendemos para quem vislumbrou essa revitalização. São salas de 40 m² a 50 m² e 70% dos compradores são investidores que as alugam para profissionais liberais.?

O mesmo, acredita, vale para bairros residenciais, como Butantã e Vila Sônia. ?Há espaço para crescimento do comércio nas principais avenidas desses bairros, que podem crescer paralelamente ao crescimento residencial?, lembra.

O movimento não se reduz apenas ao Metrô, mas também se estende para as novas estações da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Foram nove inauguradas nos dois últimos anos, quatro na Linha 9-Esmeralda (Jurubatuba, Autódromo, Primavera-Interlagos, Grajaú), regiões que podem se tornar corredores comerciais, aponta Naufel. ?A tendência comercial se expande ao longo marginal?, completa.

Mesmo em regiões mais desenvolvidas, como a que irá ser atingida pela Linha 5 - Lilás, Naufel acredita em um processo de revitalização do comércio. ?Ela deve acontecer principalmente no Largo 13, onde o comércio local é composto por lojas de rua e poucos edifícios comerciais. O Metrô pode melhorar a ocupação na região.?

CRONOGRAMA

LINHA 2-VERDE

Sacomã - dezembro de 2009
Tamanduateí e Vila Prudente - março de 2010

LINHA 4-amarela

Paulista, Faria Lima e Butantã - fevereiro de 2009
Luz e República - abril de 2010
Pinheiros - Agosto de 2010
Higienópolis, Oscar Freire, Fradique Coutinho, Morumbi e Vila Sonia - prazo para conclusão das obras: 2012

LINHA 5-LILÁS

Vila Clementino, Hospital Servidor Público, Moema, Ibirapuera, Água Espraiada, Brooklin-Campo Belo, Borba Gato, Alto da Bela Vista, Adolfo Pinheiro , Largo 13 -
Prazo para conclusão das obras: 2012


Trechos da Marginal Tietê serão abertos na segunda-feira, 30/11/2009

Trechos da Marginal Tietê serão abertos na segunda-feira

FOTO: Hélvio Romero/AE


Por Eduardo Reina


http://blog.estadao.com.br/blog/metropole/?title=trechos_da_marginal_tiete_serao_abertos&more=1&c=1&tb=1&pb=1


Novos trechos da pista central da Marginal do Rio Tietê serão abertos ao tráfego no próximo dia 30. Juntos somam 6,5 quilômetros de extensão espalhados nos dois sentidos. Segundo o diretor de engenharia da Dersa, estatal paulista responsável pelas obras, Paulo Vieira de Souza, são previstas mais três datas para liberação dos novos trechos que estão sendo construídos.


Serão mais 6,2 quilômetros liberados no dia 14 de janeiro, 9,6 quilômetros em 28 de fevereiro e outros 4,1 quilômetros em 27 de março, mesma data que está prevista a inauguração do Trecho Sul do Rodoanel.


A finalização total das obras na Marginal Tietê, com alterações nos complexos viários e viadutos, entretanto, deve acontecer somente em setembro de 2010. Prefeitura e governo estadual estimam que com a entrega dos 30 quilômetros de pistas centrais da marginal, a melhoria da velocidade média na via atinja 35%.

O 'Relatório Stern' brasileiro: um PIB a menos por causa do aquecimento global


por Andrea Vialli


http://blog.estadao.com.br/blog/vialli/


O Brasil perder R$ 3,6 trilhões até 2050 em razão dos impactos provocados pelas mudanças climáticas no País, o que equivaleria a jogar fora um ano de crescimento econômico nos próximos 40 anos. A informação faz parte do estudo Economia das Mudanças do Clima no Brasil, divulgado hoje, que reuniu equipes de instituições reconhecidas como USP, UFRJ, Unicamp, Inpe, Embrapa e Fiocruz.


A ideia do relatório foi traçar, para o cenário brasileiro, um panorama semelhante ao desenhado pelo economista Nicholas Stern em 2006. Na ocasião, Stern traçou, a pedido do governo britânico, um estudo sobre os custos financeiros da mudança climática - este que ficou conhecido como Relatório Stern. A síntese do estudo enunciou que os investimentos necessários para atenuar os efeitos das mudanças climáticas consumiriam 1% do PIB mundial, ao ano. O mesmo relatório ponderou que, se nada fosse feito para combater a crise do clima, o estrago pode custar até 20% do PIB mundial.


Apesar das perdas econômicas que o País poderá sofrar, o estudo também aponta oportunidades. E todas ligadas à chamada economia verde, ou de baixo carbono. A agricultura, por exemplo, perde em produtividade e áreas cultiváveis (em especial as culturas de soja, milho e café). Mas a cana-de-açúcar pode aumentar sua área plantada em até 147% ao longo deste século - oportunidade de ouro para o setor de biocombustíveis. A substituição de combustíveis fósseis, aliás, evitaria a emissão doméstica de até 203 milhões de toneladas de CO2 até 2035.


Outra oportunidade apontada pelo relatório é o pagamento por serviços ambientais. Segundo o estudo, a preservação da floresta amazônica pode render até US$ 450 por hectare, o equivalente a US$ 3 por tonelada de carbono que deixar de ser lançada na atmosfera. Esse pagamento, segundo as instituições, desestimularia o desmatamento voltado à pecuária. Só não se sabe ainda quem vai pagar essa conta.


Aviação em busca do combustível verde


por Andrea Vialli


A companhia aérea Azul e a Embraer vão realizar, no início de 2012, o primeiro voo experimental (sem passageiros) com o uso de um querosene obtido de cana-de-açúcar - um 'etanol' para aeronaves, que também está sendo chamado de bioquerosene. A Azul, companhia aérea do americano David Neeleman que começou a voar no final do ano passado aceitou testar o bioquerosene em um dos seus jatos da Embraer. O combustível está em fase de desenvolvimento pela Amyris, da área de biotecnologia. Também participa do projeto a General Electric (GE), fabricante de motores para jatos.


Embora o processo de certificação do novo combustível seja longo, o querosene de origem renovável poderá começar a ser produzido em escala industrial em 2013 como uma alternativa ao de origem fóssil, responsável pela alta carga de emissões de CO2 da aviação, que representa 2% das emissões de gases esfufa do mundo.


Segundo Guilherme Freire, diretor de tecnologias para meio ambiente da Embraer, a busca por combustíveis renováveis mobiliza toda a indústria de aviação diante das pressões pela redução das emissões do tráfego aéreo. As emissões do setor devem chegar a 3% em 2050.


Esta semana, a Gol também anunciou sua entrada em um projeto de pesquisa de biocombustível para aviões – o Sustainable Aviation Fuel Users Group (Safug). Esse programa reúne empresas aéreas e provedores de tecnologia, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento de novas fontes renováveis de combustível para aviação.


O grupo trabalha em dois projetos preliminares de pesquisa. O primeiro estuda a sustentabilidade do cultivo do pinhão manso como alternativa para geração de combustível sustentável. E outra frente de estudos é relacionada ao uso de algas, com o objetivo de certificar que seu uso atende aos critérios de sustentabilidade. O grupo também prevê estudos futuros com outros tipos de matérias-primas.


Hidrocarboneto

No caso do projeto com a cana-de-açúcar, o novo insumo não demanda alteração no projeto dos motores. Segundo a Amyris, empresa que tem entre os sócios o grupo Votorantim, a cana pode repetir na produção de querosene o mesmo porcentual de redução de CO2, entre 80% e 90%, que o etanol representa em relação à gasolina. Isso porque o plantio da gramínea sequestra carbono da atmosfera. Tecnicamente, o bioquerosene de cana é um hidrocarboneto resultante de uma das etapas da produção do etanol. Após a fermentação do caldo da cana, o material que originará o bioquerosene é separado por centrifugação em lugar da destilação.


Para os executivos do setor aéreo, a diversificação da matriz energética da aviação reduz a insegurança em relação à flutuação da cotação internacional do petróleo, já que as companhias têm entre 30 e 40% dos seus custos associados a combustível.


Com informações de Alexandre Rodrigues/AE

Brasileiro emite duas vezes mais CO2 que a média global


por Andrea Vialli


O Brasil é o campeão, entre os países emergentes, na emissão de CO2 per capita. Cada brasileiro é responsável pela emissão de 10 toneladas de gás carbônico (CO2) por ano, em média. O número é duas vezes maior do que a média mundial. Os dados são da Rede-Clima, ligada ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).


"Somos o país em desenvolvimento com a maior média mundial", afirmou Carlos Nobre, um dos coordenadores da Rede-Clima, ao participar de comissão geral na Câmara para discutir a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15).


A meta é de que a média mundial de emissão de CO2 seja de 1,2 tonelada por ano até 2050, para que a temperatura global não aumente 2 graus Celsius. "Ela já subiu 0,8°C nos últimos 100 anos. Falta 1,2°C. Já chegamos muito próximo do limite", disse Nobre.


Concentração de CO2 é a maior em 2 milhões de anos

O balanço anual de emissões feito por cientistas ligados ao Global Carbon Project aponta que as concentrações de gás carbônico (CO2) na atmosfera são as maiores em pelo menos 2 milhões de anos. O estudo, divulgado esta semana pela prestigiada revista científica Nature Geoscience, tem entre seus autores Jean P. Ometto, do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Inpe.


Com repercussões diretas no clima, as variações do CO2 na atmosfera terrestre são em grande parte determinadas pelo homem, devido a atividade industrial, queima de combustíveis fósseis, desmatamento e mudanças no uso da terra.

Sacolas de papel criam nova oportunidade de negócio


por Andrea Vialli, Seção: Consumo, Ecodesign, Negócios verdes


http://blog.estadao.com.br/blog/vialli/


A cruzada contra o uso excessivo de sacolas plásticas está criando novas oportunidades de negócio. O apelo verde da sacola de papel inspirou o consultor da área de embalagens Salvatore Privitera e o publicitário Adriano Afonso a investir no projeto Bagnews. Trata-se de uma sacola de papel kraft reutilizável com espaço para publicidade, que começa a ser distribuída por comerciantes da região de Santo Amaro, zona Sul da capital paulista.


No primeiro mês, serão distribuídas cerca de 60 mil sacolas, inicialmente em 83 bancas de jornais da região, que, segundo pesquisas dos empreendedores, consomem em torno de 80 mil sacolas plásticas por mês. Segundo Privitera, o diferencial ecológico das Bagnews - quando descartadas no meio ambiente, as sacolas de papel se degradam em poucas semanas -, aliado ao poder de atrair anunciantes devem tornar a Bagnews um bom negócio. A ideia é chegar a um faturamento de R$ 40 milhões, dentro de três anos. "É um conceito novo, mas que já está chamando a atenção dos comerciantes", diz. Os preços dos anúncios variam de R$ 350 a R$ 21 mil.


O objetivo dos sócios é replicar no Brasil a experiência realizada na Espanha, onde o projeto foi lançado há três anos e deve alcançar o número de 100 milhões de sacolas distribuídas. O projeto ganhou apoio da Prefeitura de São Paulo, que incluiu a iniciativa na campanha "Eu não sou de plástico", que tem o objetivo de reduzir o consumo de embalagens plásticas.


Segundo a Associação Brasileira de Supermercado (Abras), o Brasil consome 12 bilhões de sacolas plásticas por ano, o equivalente a 66 sacos por mês por brasileiro. Para Luciana Pellegrino, diretora da Associação Brasileira de Embalagens (Abre), há espaço para os dois tipos de embalagens. "O importante é conscientizar o consumidor quanto ao descarte adequado."


A fabricante de embalagens Antilhas é outra que está apostando no negócio das sacolas de papel. "A busca por sacolas de papel ou mesmo de plásticos oxidegradáveis, biodegradáveis e compostáveis está mais intensa – reflexo da conscientização crescente das empresas", diz Cláudia Barbosa Sia, da Antilhas. "As sacolas de papel, que já tinham seu espaço consolidado no mercado, tiveram consumo intensificado, fundamentadas nas campanhas de incentivo de substituição da sacolinha plástica de supermercado" explica.