Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Empresas em São Paulo barram arborização

Custo de compactar ou enterrar linhas de transmissão seria alto e não resolveria problemas com árvores grandes, alegam companhias


Cristina Amorim


http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090624/not_imp392150,0.php


O projeto de arborização de todos os municípios paulistas elaborado pela Secretaria do Estado Meio Ambiente vem tendo com obstáculo a política urbanística de companhias elétricas que atuam no Estado. Enquanto a secretaria quer plantar árvores de grande porte, as empresas recomendam as de pequeno e médio portes.


A justificativa é que as árvores altas ameaçam os fios de transmissão de energia, além de ter raízes que podem danificar calçadas e estruturas subterrâneas, como redes de distribuição de água e coleta de esgoto. Para a secretaria, espécies pequenas não fornecem os serviços ambientais esperados, como melhoria na qualidade do ar, controle da poluição sonora e manutenção do microclima.


"O que se recomenda é arbustização, que não tem função, não sombreia, não serve para nada", diz José Walter Figueiredo, gerente executivo do projeto Municípios Verdes, que prevê a recomposição das áreas verdes urbanas para pelo menos 12 metros quadrados por habitante. "A arbustização só encaixa arbusto debaixo do fio."


Segundo ele, a arborização pode juntar serviço ambiental e fornecimento de energia elétrica de qualidade para os consumidores. Uma maneira, afirma, é compactar os fios, tecnologia que reduz a área livre necessária perto dos cabos.


Para o agrônomo Demóstenes Ferreira da Silva Filho, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo, "árvore de pequeno porte é arbusto e não traz benefícios". Segundo ele, essas espécies são usadas porque as empresas usam uma tecnologia centenária.


INTERRUPÇÕES DE ENERGIA


As árvores são uma das principais causas de interrupção de fornecimento de energia, principalmente quando chove, afirmam as empresas. O gerente de meio ambiente da CPFL Energia, Rodolfo Nardez Sirol, diz que a compactação dos fios pode ser feita em novos empreendimentos, mas que expandir a iniciativa para toda a rede instalada traria um custo proibitivo - não especificado por ele. Além disso, a tecnologia "não resolve 100% dos problemas". A distribuição subterrânea, outra forma de resolver a questão - além de melhorar o visual das cidades -, é dez vezes mais cara e o custo seria repassado ao consumidor.


Em nota, a AES Eletropaulo afirma que "a utilização de rede compacta não elimina a necessidade de adequação do modelo arquitetônico natural das árvores, ou seja, a poda de árvores sempre será uma atividade necessária". Também diz que a poda de condução "pode representar um alto custo para as prefeituras".

Projeto regulariza 200 mil imóveis às margens da Billings

Blogger Blogger: Os atuais governantes acham que o paternalismo com os invasores que ocupam o entorno das represas é uma espécie de justiça cósmica. Vão destruir os mananciais de forma irreversível e não atingirão a utópica igualdade social porque a desigualdade é um atributo de todos os seres, humanos ou não. Trabalhei alguns anos em projetos que visavam reurbanizar justamente as áreas que agora serão entregues aos invasores que sitiaram a Grande São Paulo. Não há ninguém que tenha nascido aqui, podem acreditar.


Segundo ambientalistas, anistia beneficia invasões e habitações precárias; lei aguarda sanção do governador


Eduardo Reina


http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090624/not_imp392094,0.php


A Lei Específica de Proteção da Represa Billings, que abastece 1,6 milhão de pessoas na Grande São Paulo, regulariza a posse em mais de 200 mil imóveis localizados às margens do manancial, onde aproximadamente 1 milhão de pessoas moram. Isso inclui áreas de invasões e muitas habitações precárias às margens da represa, que colocam em risco a vida dos habitantes e do próprio manancial. O texto, aprovado na Assembleia Legislativa, aguarda sanção do governador José Serra, o que deve ocorrer nas próximas semanas, segundo a Secretaria da Casa Civil. Com a publicação, as normas entrarão em vigor em seis meses.


Pelo projeto, as prefeituras de São Paulo, São Bernardo do Campo, Santo André, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra deverão adaptar os Planos Diretores aos novos parâmetros de regularização fundiária. Também são os prefeitos quem deverão propor as compensações ambientais para ocupação, que deixam de ser de responsabilidade do dono das terras. Há anos é desenvolvido esforço para evitar maior desmatamento na região e evitar que o esgoto seja despejado in natura na Billings.


O texto aprovado pelos deputados estaduais dá uma "anistia" para ocupações irregulares. Ganhará a escritura o morador de imóveis que tenham área inferior a 125 m². No entanto, por ser uma definição que não constava do texto original do Executivo, essa medida pode sofrer modificações. Por outro lado, determina-se a remoção de moradores instalados nas chamadas áreas de primeira categoria. São casas erguidas nas Áreas de Recuperação Ambiental 1 (ARA-1), cujas características não possam estar contidas em Programas de Recuperação de Interesse Social (Pris).


A nova orientação para a ocupação imobiliária nas margens da represa, porém, preocupa os ambientalistas. Acredita-se que crescerá a especulação imobiliária, com a regularização dos lotes ocupados há mais de 30 anos, além de agravar a situação do reservatório. "Muita gente que conseguir a escritura poderá vender o imóvel e ocupar um novo lote em regiões ainda mais para dentro das zonas de proteção", critica Carlos Bocuhy, integrante do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema).


Conforme ele, o adensamento populacional na região chega a 4 mil pessoas por km², índice similar a de muitos bairros da área expandida da capital. "Essa lei é um grande projeto de regularização fundiária. Não se pensou na sustentabilidade da Billings", afirma.


O deputado estadual Orlando Morando (PSDB), de São Bernardo, discorda do ambientalista e alega que novas ocupações podem ocorrer apenas até a sanção da lei. "Depois, a legislação será mais dura. Vai ficar difícil fazer novas invasões. A regularização dos lotes está atrelada a compensações ambientais, como criação de áreas verdes. As invasões receberão um freio e também será definida a prioridade no uso das águas do reservatório."


* COMENTÁRIOS


Todos pagaremos


Wed, 24/06/09 11:57 , eltreis@estadao.com.br


Pagaremos um alto custo pelo tratamento de água, além do custo ambiental pela destruição sistemática do que deveria ser um verdadeiro santuário no entorno da região metropolitana. Os municípios que margeiam a represa (sem exceções) têm tido uma relação predatória há muito com toda a área e o sancionamento desta lei apenas regulariza esta falta de responsabilidade do poder público. Será mesmo que o governador vai sancionar esta lei?


Lamentável


Wed, 24/06/09 07:53 , marcio.paula@estadao.com.br


Ao contrário do que muito podem pensar, os governos, tanto daqui, de São Bernardo do Campo, como o estadual (desde a gestão Covas), não estão nem aí para a questão ambiental, na Billings. Há mais de 25 anos esses problemas são debatidos aqui e denunciados pelo Diário do Grande ABC, mas nenhuma atitude concreta foi tomada. Os políticos fazer política eleitoral e todas as pessoas que invadem essas áreas são nordestinos que rapidamente se instalam nesses locais e, um pouquinho mais de tempo, se transformam numa verdadeira legião. Aí, fica difícil para o poder público agir. É mais fácil urbanizar a área e ganhar os votos. Ou não?


Domingo, 31 de Maio de 2009

Linha 5 do metrô de SP desapropriará 360 imóveis


AE - Agencia Estado

http://www.estadao.com.br/noticias/geral,linha-5-do-metro-de-sp-desapropriara-360-imoveis,367543,0.htm

SÃO PAULO - As 11 futuras estações que farão parte da expansão da Linha 5- Lilás do Metrô - que hoje liga o Capão Redondo ao Largo 13 (Santo Amaro) e chegará até a Chácara Klabin, cortando áreas nobres da zona sul - já têm os endereços definidos. As paradas ficarão distribuídas ao longo de três eixos principais: Avenidas Santo Amaro e Ibirapuera e Rua Pedro de Toledo. No total, a extensão da Linha Lilás vai exigir a desapropriação de cerca de 360 imóveis para a edificação das estações e de mais 16 poços.

As informações completas sobre a extensão da Linha Lilás foram apresentadas ontem pelo Metrô. Até agora, só haviam sido divulgadas informações parciais, como a desapropriação de 114 imóveis de alto e médio padrões entre a futura Estação Adolfo Pinheiro e a Subestação de Energia Elétrica Bandeirantes, na região de Moema e Campo Belo, cujos proprietários começaram a ser notificados no mês passado. Para os 360 imóveis que compõem o total necessário a desocupar até Chácara Klabin, há a previsão de gastar R$ 350,6 milhões com desapropriações. 

Somando obras e trens, o total a ser investido na Linha 5 será de R$ 4,99 bilhões. O Metrô trabalha com a hipótese de entregar o novo trecho, que se somará aos 10,5 km atuais, deixando a Linha 5 com o total de 21,4 km, em março de 2012. A extensão será totalmente subterrânea. A Linha 5 vai ganhar ainda um novo pátio de estacionamento de trens, chamado Pátio Guido Caloi, na avenida de mesmo nome. Haverá um segundo pátio, subterrâneo, na região do Parque das Bicicletas, na esquina das Avenidas Ibirapuera e Indianópolis, na zona sul. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Dr. Fernando Justino Dantas, médico oftalmologista pioneiro no uso da internet, atende pacientes online

Blogger Blogger: Desde 2001 o Dr. Fernando Justino Dantas, médico oftalmologista formado pela UNICAMP, vem desenvolvendo um trabalho inédito sobre a internet como meio de pesquisa e atualização tanto do médico quanto do leigo. Para quem o conhece bem sabe que ele é o primeiro médico oftalmologista do Brasil - talvez das Américas - a dar suporte online, em tempo real, a seus pacientes.

Além disso poucos médicos conseguem reunir tantas qualidades: grande cirurgião, ótimo clínico geral (pasmem, mas é verdade), especialista em doenças da retina e vítreo (incluindo glaucoma), faz diagnósticos precisos na área da neuro oftalmologia e cirurgias de catarata com implante de lente intraocular e correção da miopia.

Claro, ele é o meu oftalmologista!

Anotem o endereço:
Clínica Arieta de Oftalmologia
Rua Joaquim Floriano, 72 - conj. 78
(Itaim Bibi)
tel/fax: 3078.1899 3168.4634

Em Campinas seu consultório é na Clínica Nova Campinas Oftalmologia:
Av. Jesuíno Marcondes Machado, 585 (Nova Campinas)
Tel/Fax (19) 3294.7676

Dr. Fernando Justino Dantas, médico oftalmologista, fala sobre fadiga visual

Segundo a Academia Norte-Americana de Oftalmologia, não há evidência científica convincente de que monitores de vídeo sejam prejudiciais aos olhos. No entanto, como queixas de desconforto e fadiga ocular vêm se tornando mais comuns quando se aumenta o uso de dos mesmos, isso passou a receber maior atenção como objeto de estudo.

Testes extensivos em laboratórios governamentais nos EUA estabeleceram que monitores emitem pouca ou nenhuma radiação ionizante prejudicial (como raio-X) ou não ionizante (como ultra-violeta) sob condições normais de operação. De fato, a quantidade de radiação ultra-violeta produzida por um monitor de vídeo é uma pequena fração da que é produzida por uma luz fluorescente. Os níveis de radiação dos monitores são bem inferiores aos necessários para produzir catarata ou outro dano ocular mesmo após uma exposição vitalícia.

Algumas pessoas irão perceber temporariamente que objetos pretos ou brancos aparecem tingidos com cor após olharem para monitores por uma hora ou mais (isso é chamado de Efeito McCollough). Essas cores são geralmente complementares (opostas) da cor dos caracteres no monitor, e não são um sinal de doença, dano ou cansaço ocular.

Alguns pacientes podem notar uma variedade de sintomas, incluindo irritação ocular (olhos vermelhos, lacrimejantes ou secos), fatigados (cansaço, dor em peso nas pálpebras ou testa), e dificuldade em focar. Dores de cabeça, nas costas ou espasmos musculares também podem ocorrer. Essas queixas podem em geral ser aliviadas trocando a disposição dos objetos no local de trabalho ou com uso de óculos apropriados para a atividade.

Apesar de o cansaço visual ser um sintoma aborrecedor, isso não significa que o uso contínuo de computadores irá danificar seus olhos. Para encontrar alívio, primeiro uma busca sistemática da causa deve ser feita. O oftalmologista poderá encontrar alguma doença ocular e providenciar óculos apropriados se forem necessários.
O distribuidor do equipamento de computador, especialistas em ergonômica de trabalho ou agências especializadas também podem fornecer sugestões úteis relacionadas a modificações do local de trabalho para prevenção desses sintomas.

No local de trabalho, a maioria dos usuários de computador prefere sua tela a uma distância um pouco maior do que a habitual para leitura. O topo da tela do monitor é mais confortavelmente posicionada na mesma altura ou pouco abaixo do nível dos olhos. Materiais de referência devem estar o mais próximo da tela para minimizar movimentos da cabeça ou dos olhos e mudanças de foco.

A iluminação deve ser posicionada de forma que reflexos e ofuscamentos sejam minimizados. Algumas vezes a iluminação padrão de escritórios é muito brilhante para um uso confortável de monitores de computador. Se não for prático modificar sua iluminação no escritório, coberturas e filtros de densidade neutra para os monitores podem ajudar.

A tela do monitor é uma boa colecionadora de poeira e deve ser limpa freqüentemente com pano anti-estático para melhorar a visibilidade.

Intervalos de descanso periódicos são importantes, mas, além disso, o uso de computadores requer uma postura relativamente estática do corpo, cabeça e posição dos olhos que pode ser fatigante. A forma de sentar correta pode diminuir a incidência de problemas posturais e melhorar o desempenho no trabalho (vide figura). A distribuição de documentos e outros objetos de leitura deve ser organizada de forma que tudo mantenha mais ou menos a mesma distância dos olhos, evitando esforços de acomodação de foco na troca das distâncias focais.

Além disso, a tela deve ser mantida em foco adequado. Uma vez que a tela é posicionada mais longe e mais alta do que a distância de leitura convencional, óculos diferentes podem ser necessários. Isso é verdadeiro em especial para indivíduos que usam bifocais, trifocais ou óculos de leitura. A altura do bifocal pode ter de ser elevada para compensar a posição mais alta do monitor. As demandas visuais adicionais do uso de computadores podem significar que indivíduos que normalmente não precisam de óculos devam usar lentes corretivas para essa atividade.

O oftalmologista pode prescrever os óculos corretos quando necessários. O layout e as dimensões do local de trabalho devem ser obtidos para que o oftalmologista possa calcular o poder das lentes que melhor atingirão o objetivo.

Além disso, o exame médico completo do oftalmologista irá dizer se o desconforto com o uso de computadores se deve ao cansaço visual simplesmente ou se há suspeita de alguma doença inesperada.

Anotem o endereço do Dr. Fernando Justino Dantas:

Clínica Arieta de Oftalmologia
Rua Joaquim Floriano, 72 - conj. 78
(Itaim Bibi)
tel/fax: 3078.1899 3168.4634

Em Campinas seu consultório é na Clínica Nova Campinas Oftalmologia:
Av. Jesuíno Marcondes Machado, 585 (Nova Campinas)
Tel/Fax (19) 3294.7676

Dr. Fernando Justino Dantas, um dos maiores especialistas brasileiros em retinopatias e glaucoma

Dr. Fernando Justino Dantas

Anotem o endereço:
Clínica Arieta de Oftalmologia
Rua Joaquim Floriano, 72 - conj. 78
(Itaim Bibi)
tel/fax: 3078.1899 3168.4634

Em Campinas seu consultório é na Clínica Nova Campinas Oftalmologia:
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Dr. Olavo Feher, o oncologista paulista que mais vence batalhas contra o câncer

DR. OLAVO FEHER

Blogger Blogger: Dr. Olavo Feher não precisa contratar assessoria de imprensa para divulgar suas vitórias contra todos os tipos de câncer, porque seus pacientes sabem que, com ele, é possível vencer as batalhas através da abordagem integrada e extrema habilidade ao lidar com cada caso específico. Seu currículo é vasto e inclui três anos de estudo e pesquisa na University of Pittsburgh.
A equipe administrativa que o cerca é de profissionais super competentes, como a simpática e incrivelmente eficiente dupla Sandra Bezerra & Sandra Noronha que, juntas, conseguem o possível e o impossível dos convênios médicos.
Além disso há a fantástica Gisele, a enfermeira preferida por 10 entre 10 médicos em São Paulo e que também trabalha no Hospital Sírio-Libanês, na UTI de Cardiologia.
Clínica O.Feher
Al. Gabriel Monteiro da Silva, 454
(Jardim Paulistano)
tel/fax: (11) 3064.6858/ 3064.3229 / 3088.4495 / 3082.1616
e-mail: ofeher.onco@terra.com.br

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Entrevista completa de Soledad Silveyra a Cristina Fernández de Kirchner








O segredo de Fátima


Há muitas histórias por contar, e a de Fátima é uma delas. O enredo faz parte do nosso folclore religioso, do nosso imaginário afeiçoado às utopias, do exibicionismo das nossas expressões colectivas e também da nossa história profunda. Por isso, Fátima já faz parte da nossa identidade como país: vir a Portugal e não ver Fátima é como ir a Meca e não ver a Kaaba. A imagem da Senhora de Fátima é um marco de identidade e de referência religiosa colectiva para as comunidades de emigrantes portugueses por todo o mundo.

Fátima tem o nome da filha do profeta Maomé, o fundador do Islão. Ela nasceu em 606 da nossa era, casou com um primo chamado Ali, que veio a ser o quarto califa na sucessão do Profeta e que morreu assassinado numa mesquita, deixando três filhos: Hassan, Hussein e Mossein. Os muçulmanos ocuparam e administraram a Península Ibérica a partir do ano 711 e a Península só voltou a ser inteiramente administrada por governos cristãos a partir de 1492, no ano em que Cristóvão Colombo chegou à América. Foram oito séculos de Islão na Península ibérica! O cristianismo nunca desapareceu da península Ibérica, mas só voltou a impor-se no território a sul do Mondego cerca de 400 anos após a invasão islâmica; muitas das terras receberam nomes adequados às tradições religiosas e culturais islâmicas e uma delas foi Fátima, em honra da única filha do Profeta, apesar dele ter sido um amante exemplar das suas 13 mulheres.

Em 1916 começaram a acontecer coisas estranhas nas proximidades deste lugar perdido na Serra Daire. Contaram três crianças que tinham visto um anjo por duas ou três vezes; perguntaram-lhe quem era e ele disse que era o Anjo de Portugal. Nunca ninguém tinha ouvido falar de tal personagem, de que Portugal tivesse um Anjo nem de quais seriam as suas funções. O mais curioso é que o personagem ensinou as crianças a rezar e fê-lo ajoelhando-se e curvando-se até tocar com a cabeça no chão. A descrição do acontecimento é tão insólita que as crianças não podiam ter inventado uma cena destas. O Anjo rezou como costumam rezar os muçulmanos.

O anjo nunca mais voltou; as crianças veriam no ano seguinte aparecer-lhes outra entidade, um vulto de contornos mal definidos, que parecia uma senhora muito branquinha, de saia pelo joelho, envolta em luz ofuscante. Perguntaram-lhe quem era, mas ela não respondeu; voltou a revelar-se, voltaram a perguntar, mas o vulto estranho não pareceu muito interessado a revelar quem era. Acabaram as próprias crianças por encontrar uma identificação apropriada, era a Nossa Senhora, a mãe de Jesus e o povo que acorria ao local, cada mês à mesma data, para assistir a um espectáculo esotérico, acabou por aceitar que deveria ser, certamente, a celestial criatura. No final das aparições, pela sexta vez, o vulto de luz ter-se-à identificado finalmente como a senhora do rosário. Depois veio o tempo das hesitações, da decantação da história, levou anos a tecer um enredo credível e sustentável, facilitado pela morte de dois dos protagonistas e o afastamento de uma das crianças do local dos acontecimentos, até se organizar a festa. Duas das crianças eram moças e uma era um rapaz; o coitado não viu nem ouviu grande coisa do que aconteceu, deixou-se ir na enxurrada; uma das moças pouco viu, pouco ouviu e ambos desapareceram levados pela mesma doença que dizimou milhares de crianças naquele tempo. Só sobreviveu uma testemunha de todo o enredo, solitária e enclausurada, que afirmou que a estranha personagem a terá ainda visitado posteriormente, algumas vezes.

Que algo aconteceu em Fátima, fora do comum das coisas que acontecem normalmente pelas nossas serranias, disso ninguém pode duvidar. Mas aconteceu o quê exactamente? Porque é que o anjo rezou daquela maneira, porque é que não voltou mais? Se foi a mãe de Jesus que se manifestou àquelas crianças típicas do Portugal rural da época e que em dada altura deu a alguma da gente que lá acorreu um espectáculo de luzes e de cheiro, não deve ter escolhido ao acaso o local de aterragem. E porquê ter escolhido um dia 13, número maléfico desde uma remota antiguidade? A mãe do Messias terá vindo mostrar-se numa terra que tem o nome da filha do Profeta que fundou a maior religião do mundo? Fê-lo privilegiando crianças, duas delas mulheres como ela, a quem falou de oração, de tristeza, do bem e do mal, da guerra e da paz, do céu e do inferno, de vícios e virtudes, até terá deixado um segredo, mal guardado e muito mal contado. Obviamente que todo este enredo tem os ingredientes de uma linda história de mulheres.

Mas como normalmente são os homens que mandam na religião, sejam eles judeus, cristãos ou muçulmanos, ajeitaram a festa à moda deles e foram contando a história ao jeito brutal do poder dos machos. Levaram 13 anos a confeccionar um programa credível: o testemunho das crianças mortas era frágil e pouco coerente, o da sobrevivente era suspeito e sofria de intervenções exteriores intencionadas. Esqueceram-se do anjo, baixaram a bainha da saia da criatura, colocaram-lhe aos ombros um manto enfeitado com ouro, coroaram-lhe a cabeça, criaram-lhe uma imagem de rapariga jovem, de tez tão branca que parece anémica, uma figura atípica que não inspira desejos nem emoções, transformaram a serrania agreste num arraial de insuspeita devoção, exploraram segredos e emoções profundas, criaram uma nova cidade e montaram comércios, armaram uma monumental trapalhada e deixaram para segundo plano o essencial de toda religião: a relação da criatura com o seu criador, a autenticidade da fé. Trinta e cinco anos depois dos acontecimentos consagrava-se uma igreja para aconchegar a piedade e as emoções dos peregrinos; noventa anos depois inaugurava-se uma nova e grande basílica para acolher ao abrigo do sol e da chuva mais de 5.000 pessoas de cada vez.

Todos os Messias e todos os Profetas se prostram como todos os anjos e todas as criaturas, em adoração ao seu Deus; só Ele merece que um ser inteligente faça o gesto ritual da humildade, reconhecimento inconfundível da infinita misericórdia do Criador de todo o Universo, de todas as criaturas e termo final de toda a história. Pelos caminhos dos homens que levam a toda a parte, os peregrinos refazem os mesmos passos iniciáticos que se apressam a caminho de Chartres, de Compostela, de Meca, de Benarés, de Jerusalém, de Agmat, de Guadalupe… partilhando com eles o ritual do caminhar. Talvez que o mais importante nem sequer seja chegar a um destino, mas simplesmente caminhar. Fátima é uma fantástica peça de teatro inacabada, uma história de mulheres que continua a desafiar o imaginário e a fé inconstante dos homens; como todas as mulheres guardam insondáveis segredos, Fátima tem uma linda história por contar. O tempo delas há-de chegar, como sempre após uma longa caminhada.



http://antonioabreufreire.bloguepessoal.com/163630/Fatima-e-o-segredo/

Quinua, o grão que vem ganhando espaço na mesa do brasileiro

http://minhavida.uol.com.br/materias/alimentacao/Conheca+a+Quinua.mv


A quinua desembarcou aqui há pouco tempo. Foi a partir de 2004 que ela começou a ser importada do deserto Uyuni, nos Andes bolivianos. O local fica a 3.800 metros acima do nível do mar e no inverno a temperatura pode atingir 30 graus negativos. A quinua plantada em outros lugares não tem as mesmas características nutricionais desta, cultivada em seu local de origem, onde o solo, o clima, os ventos, a salinidade do ar e a altitude são muito peculiares.


A quinua, além de ser ótima fonte de carboidratos de baixo índice glicêmico, vitaminas, minerais e gordura saudável, contém todos os aminoácidos essenciais que nosso corpo não fabrica e que são precursores das proteínas: histidina, isoleucina, leucina, lisina, metionina, fenilalanina, treonina, triptofano, valina e arginina.


Essas proteínas, formadas pelos aminoácidos, são indispensáveis para o melhor rendimento e elasticidade das fibras musculares, recuperação de tecidos e células, manutenção dos órgãos, da pele e do sistema imunológico, bem como para a produção de hormônios e enzimas. Geralmente, um legume, uma verdura, um cereal ou uma fruta pode apresentar determinado aminoácido essencial em quantidade significativa e ter carência dos demais. A quinua reúne todos.


Outro diferencial do grão é a presença dos aminoácidos metionina e lisina, típicos de alimentos de origem animal como carne e ovos. Esses dois aminoácidos estão relacionados ao desenvolvimento da inteligência, à rapidez de reflexos e a funções como a memória e a aprendizagem.


Riqueza no prato


A quinua também é uma boa fonte de triptofano, aminoácido ligado à produção de serotonina no cérebro, responsável pela modulação do humor, pela disposição e pelo bem-estar. Por isso, é provável que o seu consumo regular possa ajudar a reduzir a fadiga e a depressão.


A quinua é livre de glúten, isso significa que os celíacos pessoas com intolerância às proteínas presentes no glúten ou pessoas com sensibilidade alimentar ao glúten podem saborear pães, tortas e bolos feitos com a farinha de quinua.


Em relação às calorias, a quinua contém quase a mesma quantidade de calorias do arroz. Cada 100g de quinua crua têm 374 calorias, contra 350 calorias do arroz integral cru. E por ser rica em fibras - até mais que o arroz integral - , a quinua ajuda a aumentar a sensação de saciedade durante as refeições, melhora o funcionamento intestinal e favorece o controle dos níveis de colesterol, glicemia e triglicérides no sangue. Ou seja, pode ser um grande aliado para quem quer emagrecer com saúde.


Quem pode consumir


A quinua não apresenta nenhuma contra-indicação para consumo. É um excelente alimento para crianças que necessitam de um aporte maior de proteínas e carboidratos saudáveis durante a fase de crescimento.


A composição nutricional da quinua a torna um alimento perfeito para ser consumido por atletas antes e depois de exercícios físicos intensos. Por ter baixo índice glicêmico, os carboidratos da quinua são metabolizados mais lentamente, garantindo uma reserva de energia necessária durante o esforço físico. E, devido à presença dos aminoácidos, ela ajuda a reparar o tecido muscular após o treino.


A quinua também pode ser um ótimo complemento alimentar para a gestante, cujo organismo precisa de 11 gramas extras de proteínas diariamente, de forma a atender às demandas do desenvolvimento do bebê. O ideal é que a mulher mantenha esse consumo extra de proteína durante a amamentação até seis meses após o nascimento do bebê.


Dr. Eduardo Gomes é médico geriatra e ortomolecular e dirige a rede de Clínicas Anna Aslan.

Para saber mais, acesse: www.annaaslan.com.br